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Aves e Suínos

Frango no Paraná: custo de produção supera preço recebido em setembro e pressiona margens

Galpão avícola com frangos e comedouros, ilustrando produção de frango e custos de ração

Resumo – A avicultura de corte no Paraná fechou setembro com custo de produção superior ao preço médio recebido pelo frango vivo, segundo o boletim conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral). A diferença evidencia pressão sobre as margens da atividade, com destaque para o encarecimento da ração.

Números de setembro

O custo de referência apurado pelo Deral para o sistema acompanhado pela Embrapa Suínos e Aves foi de R$ 4,96 por quilo, enquanto o preço médio recebido pelo produtor ficou em R$ 4,75 por quilo. A diferença de R$ 0,21 por quilo representa uma remuneração 4,23% inferior ao custo estimado.

  • Variação do custo: +2,27% frente a agosto (R$ 4,85/kg) e +7,13% na comparação anual (setembro/2025).

  • Variação do preço recebido: +0,42% no mês, mas ainda 4,63% abaixo do registrado um ano antes.

Ração e demais pressões nos custos

O principal componente que pressionou os custos foi a alimentação das aves. Em setembro, as despesas com ração subiram 5,06%, e os custos de capital registraram alta de 1,97%. A nutrição animal respondeu por 65,55% do índice de custos da atividade.

No Paraná, o gasto estimado com alimentação alcançou R$ 3,25 por quilo de frango produzido, alta mensal de 5,18% e avanço anual de 9,80%. No atacado estadual, o milho foi cotado a R$ 66,43 por saca de 60 kg e o farelo de soja a R$ 2.171,40 por tonelada, este último 27,5% acima do valor de setembro do ano passado.

Relações de troca deterioradas

O aumento nos preços dos insumos deteriorou as relações de troca: para comprar uma tonelada de milho eram necessários 233 kg de frango vivo (aumento de 13,7% em 12 meses). Para adquirir uma tonelada de farelo de soja, a necessidade passou a 457 kg de frango (alta de 33,2% na comparação anual).

Movimentação de preços em outubro e sinais de mercado

As cotações do frango vivo apresentaram recuperação durante outubro: o preço de referência no Paraná atingiu R$ 4,99/kg em 29 de outubro, ante R$ 4,95 uma semana antes, superando a média de setembro (R$ 4,75/kg). Contudo, o custo de produção de outubro ainda não foi consolidado, o que impede concluir pela recuperação da rentabilidade.

Ao mesmo tempo, o mercado atacadista paulista mostrou recuo recente nos preços da carne: o indicador do frango resfriado do Cepea/Esalq caiu de R$ 8,50/kg em 22 de outubro para R$ 8,26/kg em 29/10 (-2,82%), e o frango congelado passou de R$ 8,49/kg para R$ 8,24/kg no mesmo período. Esses movimentos atacadistas não se traduzem automaticamente na remuneração do produtor paranaense, mas representam um sinal a ser acompanhado.

Contexto externo: exportações

Apesar das pressões internas de custo, as exportações brasileiras de carne de frango seguem em crescimento. Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam embarques de 500,3 mil toneladas em setembro, alta de 3,7% sobre o mesmo mês de 2025, e 4,421 milhões de toneladas no acumulado janeiro–setembro, avanço de 14%.

O que observar nas próximas semanas

  • A consolidação do custo de produção de outubro, para verificar se a elevação recente dos preços vivos compensou a alta dos insumos.

  • A evolução das cotações atacadistas e da demanda doméstica, que podem pressionar preços recebidos pelo produtor.

  • Movimentação dos preços de milho e farelo de soja, principais determinantes da ração e, por consequência, das margens.

O resultado econômico final continuará a variar entre propriedades, dependendo de estrutura, escala e canais de comercialização. Para os produtores, os próximos indicadores de custos e preços serão determinantes para avaliar se a pressão sobre as margens será temporária ou persistente.