Biofertilizante é um produto de origem biológica que fornece nutrientes às plantas ou melhora sua nutrição por meio da ação de microrganismos vivos ou de compostos gerados pela decomposição de matéria orgânica. O termo abrange desde o líquido resultante da biodigestão de esterco até formulações comerciais com bactérias fixadoras de nitrogênio ou solubilizadoras de fósforo. No Brasil, esses produtos se enquadram no conceito de bioinsumos.
Como funciona
Há duas grandes categorias. A primeira é o biofertilizante líquido obtido pela fermentação de dejetos animais e restos vegetais, geralmente em biodigestores ou em recipientes fechados. O material resultante contém nutrientes em forma disponível, além de matéria orgânica e microrganismos, e é aplicado no solo ou via pulverização foliar.
A segunda categoria são os produtos à base de microrganismos selecionados. Inoculantes com bactérias do gênero Bradyrhizobium fixam o nitrogênio do ar nas raízes da soja, dispensando a adubação nitrogenada. Bactérias como Azospirillum estimulam o crescimento de raízes em gramíneas. Fungos micorrízicos e bactérias solubilizadoras de fósforo ampliam a capacidade das plantas de absorver esse nutriente, que fica retido nos solos tropicais.
Por que importa para o produtor
O uso de biofertilizantes reduz a dependência de fertilizantes minerais importados, cujo preço oscila com o câmbio e o mercado internacional. A fixação biológica de nitrogênio na soja é um dos exemplos de maior impacto econômico da agricultura brasileira, com economia de bilhões de reais por safra em ureia que não precisa ser comprada.
Para quem tem criação de animais, transformar dejetos em biofertilizante resolve um problema ambiental e gera um insumo para lavouras e pastagens. Em sistemas orgânicos, o biofertilizante é uma das principais fontes de nutrientes permitidas. A eficácia dos produtos microbianos depende de condições de armazenamento, prazo de validade e compatibilidade com defensivos aplicados na semente.
Na prática
Na região Oeste de Santa Catarina e do Paraná, granjas de suínos usam biodigestores para produzir biogás e biofertilizante, aplicado em pastagens e lavouras de milho por meio de carretas ou fertirrigação. Em lavouras de soja em todo o país, a inoculação de sementes com Bradyrhizobium é prática padrão, e a coinoculação com Azospirillum vem crescendo.
O MAPA regula o registro desses produtos e o Programa Nacional de Bioinsumos organiza o setor. A Embrapa Soja e a Embrapa Agrobiologia desenvolvem estirpes de microrganismos e tecnologias de aplicação para diferentes culturas.
Termos relacionados
- Bioinsumos
- Inoculante
- Fixação biológica de nitrogênio
- Biodigestor
- Adubo orgânico