Degradação de pastagens é o processo gradual de perda de vigor, produtividade e capacidade de recuperação do capim, que deixa de sustentar a quantidade de animais para a qual foi implantado. A pastagem degradada apresenta falhas de cobertura, invasão de plantas daninhas, solo exposto, presença de cupins e erosão. É um dos principais problemas da pecuária brasileira, que ocupa a maior parte de sua área com pastos cultivados.
Como funciona
A degradação começa, na maioria dos casos, pelo manejo inadequado. O pastejo contínuo com lotação acima da capacidade da área impede que as plantas recuperem suas reservas após serem consumidas, e elas vão enfraquecendo. A falta de reposição de nutrientes agrava o quadro: o capim exporta nutrientes por meio da carne e do leite, e, sem adubação, o solo se empobrece ao longo dos anos. Pragas como a cigarrinha-das-pastagens, o uso de espécies pouco adaptadas ao solo e ao clima e o fogo também contribuem.
O processo é lento e passa por estágios. Primeiro caem a produção de forragem e a qualidade nutricional. Depois surgem falhas na cobertura e invasoras ocupam os espaços. Por fim, o solo fica exposto, compacta-se, perde matéria orgânica e sofre erosão, chegando a um estado em que a recuperação exige investimento elevado. Pastagens degradadas também deixam de sequestrar carbono e passam a emiti-lo.
Por que importa para o produtor
Pasto degradado significa menos arrobas por hectare. O animal ganha menos peso, a lotação cai e o ciclo de engorda se alonga, elevando o custo por arroba produzida. A recuperação, por sua vez, pode elevar bastante a capacidade de suporte da mesma área sem necessidade de abrir novas terras. Em um cenário de pressão por rastreabilidade e desmatamento zero, aumentar a produção nas áreas já abertas é a principal via de crescimento da pecuária.
As opções vão da reforma completa, com correção do solo, adubação e novo plantio de forrageira, à recuperação com adubação e ajuste da lotação, passando pela integração com lavouras, em que a soja ou o milho custeiam a recuperação do pasto.
Na prática
O Cerrado e a Amazônia Legal concentram grandes extensões de pastagens com algum grau de degradação, em estados como Mato Grosso, Goiás, Pará e Tocantins. A Embrapa desenvolveu sistemas de integração lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta que usam a lavoura de grãos para pagar a reforma do pasto e mantêm o solo coberto o ano todo. O manejo rotacionado, com divisão em piquetes e períodos de descanso, é a base da recuperação em fazendas de leite em Minas Gerais e no Sul. O MAPA mantém linhas de crédito voltadas à recuperação de áreas degradadas, e o mapeamento por satélite tem sido usado para identificar as áreas prioritárias.
Termos relacionados
- Integração lavoura-pecuária
- Pastejo rotacionado
- Capacidade de suporte
- Braquiária
- Compactação do solo