ILPF, sigla de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, é um sistema de produção que combina, na mesma área, cultivos agrícolas, criação de animais e espécies florestais, em rotação, consórcio ou sucessão. A proposta é aproveitar os benefícios de uma atividade para a outra: a lavoura melhora a fertilidade do solo para o pasto, o pasto fornece palha e renda para a lavoura, e as árvores oferecem sombra, madeira e sequestro de carbono.
Como funciona
O sistema pode assumir diferentes arranjos, conforme os componentes envolvidos:
- ILP (lavoura-pecuária): alterna grãos e pastagem na mesma área ao longo dos anos ou dentro do mesmo ano, como no plantio de milho consorciado com braquiária na safrinha.
- IPF (pecuária-floresta) ou silvipastoril: pastagem com renques de árvores, geralmente eucalipto, onde o gado pasteja à sombra.
- ILF (lavoura-floresta) ou silviagrícola: cultivos anuais entre fileiras de árvores nos primeiros anos do plantio florestal.
- ILPF completo: os três componentes ao longo do ciclo, com a lavoura nos primeiros anos, o pasto depois e as árvores colhidas ao final.
O planejamento define o espaçamento das árvores, a sequência das culturas, o tempo de cada fase e a lotação animal. A adubação feita para os grãos deixa resíduo que beneficia a forrageira, e a pastagem bem formada produz palhada abundante para o plantio direto seguinte.
Por que importa para o produtor
A integração diversifica a renda e reduz o risco de depender de um único produto. Ela é uma das principais estratégias de recuperação de pastagens degradadas, porque a lavoura custeia a reforma do pasto. O gado ganha conforto térmico sob a sombra, o que se reflete em desempenho, e a madeira representa uma poupança colhida em ciclos de vários anos.
Do ponto de vista ambiental, o sistema aumenta a matéria orgânica do solo, melhora a infiltração de água e permite compensar as emissões da pecuária com o carbono fixado nas árvores, o que abre caminho para certificações e crédito diferenciado.
Na prática
A Embrapa desenvolve e difunde o ILPF há décadas, com unidades de referência em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Paraná, e coordena uma rede com empresas privadas para transferência da tecnologia. O consórcio milho-braquiária na segunda safra, seguido de pastejo na entressafra e soja no verão, tornou-se comum no Centro-Oeste.
Os protocolos Carne Carbono Neutro e Carne Baixo Carbono, da Embrapa, certificam bovinos criados em sistemas com árvores. O Programa ABC+, do MAPA, financia a implantação da integração, e o zoneamento agrícola e a assistência técnica orientam a escolha das espécies e dos arranjos conforme a região.
Termos relacionados
- Sistema silvipastoril
- Pastagem degradada
- Plantio direto
- Agricultura de baixo carbono
- Consórcio milho-braquiária