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Glossário

O que é Melhoramento genético animal

Melhoramento genético animal é o processo de selecionar e acasalar animais com características desejáveis para que as gerações seguintes sejam mais produtivas, resistentes ou adaptadas ao sistema de criação. Na pecuária brasileira, ele está por trás de ganhos em precocidade, ganho de peso, produção de leite, qualidade de carcaça e tolerância ao calor e a parasitas.

Como funciona

O ponto de partida é medir. Criadores registram dados como peso ao nascer, à desmama e ao sobreano, ganho de peso, perímetro escrotal, idade ao primeiro parto, produção de leite e características de carcaça obtidas por ultrassom. Esses registros alimentam avaliações genéticas que estimam o valor de cada animal como reprodutor, expresso em índices como as DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie).

Com base nessas informações, o criador escolhe quais touros e matrizes vão gerar a próxima geração. Biotecnologias aceleram o processo: a inseminação artificial permite que um touro superior gere milhares de filhos; a transferência de embriões e a fertilização in vitro multiplicam a descendência de vacas de elite; a seleção genômica usa marcadores de DNA para prever o mérito genético de animais jovens antes que produzam.

O melhoramento pode ocorrer dentro de uma raça pura ou por cruzamentos, que combinam características de raças diferentes e aproveitam o vigor híbrido, como no cruzamento de zebuínos com taurinos.

Por que importa para o produtor

A genética é um dos poucos investimentos cujo efeito é cumulativo e permanente no rebanho. Um touro melhorador deixa filhas que permanecerão como matrizes por anos. Animais mais precoces reduzem a idade de abate, liberam pasto e diminuem o custo por arroba produzida. Na pecuária leiteira, vacas com maior produção por lactação diluem os custos fixos.

A adaptação também conta. No Brasil tropical, selecionar animais tolerantes ao calor, ao carrapato e a pastagens de menor qualidade evita perdas que uma genética importada sem adaptação não suportaria.

Na prática

O Nelore, raça zebuína predominante no rebanho de corte brasileiro, passou por décadas de seleção em programas conduzidos por associações de criadores, universidades e pela Embrapa, com sumários de touros publicados periodicamente. Nos programas de cruzamento industrial, é comum acasalar vacas Nelore com touros Angus para produzir animais de abate mais precoces.

No leite, o Girolando, cruzamento de Gir com Holandês, é o exemplo de raça sintética adaptada ao clima nacional, com programa de melhoramento próprio. Na avicultura e na suinocultura, o melhoramento é conduzido por empresas de genética que fornecem linhagens às integradoras. A Embrapa mantém programas para bovinos, ovinos, caprinos, suínos e aves, e o MAPA regula o registro genealógico e o comércio de sêmen e embriões.

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