Piscicultura é a criação de peixes em ambiente controlado, com o objetivo de produzir alimento ou alevinos para comercialização. É o principal ramo da aquicultura brasileira e cresceu nas últimas décadas com a domesticação de espécies nativas, a expansão da tilápia e a organização de cadeias de ração, genética e processamento em várias regiões do país.
Como funciona
O produtor cria os peixes em estruturas que substituem o ambiente natural. As mais comuns são os viveiros escavados, tanques de terra abastecidos por água de nascente, poço ou rio; os tanques-rede, gaiolas flutuantes instaladas em reservatórios de hidrelétricas e grandes lagos; e, em menor escala, sistemas de recirculação de água, com controle intenso de qualidade. O ciclo começa com a compra de alevinos, passa pelas fases de recria e engorda e termina na despesca, quando os peixes atingem o peso comercial.
A ração é o principal custo e o principal fator de desempenho. Ela é formulada com farelo de soja, milho e farinhas de origem animal, e é fornecida em quantidade proporcional à biomassa, que o produtor estima por biometrias periódicas. O manejo da água inclui monitorar oxigênio dissolvido, temperatura, pH e amônia, pois desequilíbrios provocam mortalidade rápida. Aeradores, renovação de água e controle da densidade de estocagem são as ferramentas para manter o sistema estável.
Por que importa para o produtor
A piscicultura permite aproveitar áreas alagáveis ou de baixa aptidão agrícola, gera renda em ciclos relativamente curtos e pode ser integrada a outras atividades, como o uso do efluente dos viveiros na irrigação. Ao mesmo tempo, exige capital de giro para ração, licenciamento ambiental e outorga de uso da água, e depende de canais de venda organizados, já que o peixe é perecível e precisa de frigorífico ou mercado próximo.
Na prática
A tilápia é a espécie mais produzida, com polos consolidados no oeste do Paraná, em São Paulo, Minas Gerais e nos reservatórios do Nordeste. O tambaqui domina no Norte e no Centro-Oeste, com destaque para Rondônia, Mato Grosso e Amazonas, e o pirarucu e o pintado ocupam nichos de maior valor. A Embrapa Pesca e Aquicultura, em Palmas, trabalha com melhoramento genético e sistemas de produção, e o MAPA regula a atividade, incluindo o registro de estabelecimentos e a inspeção sanitária dos produtos. Cooperativas e integrações com frigoríficos têm sido o caminho para o pequeno produtor acessar mercado com escala.
Termos relacionados
- Aquicultura
- Tanque-rede
- Conversão alimentar
- Ração animal
- Suinocultura