Escalas de abate entre cinco e sete dias úteis pressionam as compras de animais; mercado atacadista de carne bovina também registra valorização.
O mercado físico do boi gordo continuou em alta nesta quinta-feira (8 de outubro de 2026), com reajustes nas cotações em diferentes estados produtores. A disponibilidade limitada de animais para abate segue sustentando as negociações, enquanto frigoríficos aumentam gradualmente suas ofertas para conseguir adquirir boiadas.
Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, a restrição de oferta dificulta a formação das escalas de abate, que se concentram entre cinco e sete dias úteis. O cenário mantém a possibilidade de novos reajustes no curto prazo, embora a intensidade das altas varie de uma região para outra.
Preços do boi gordo avançam em cinco estados
As cotações médias divulgadas para quinta-feira mostram valorização em todas as cinco praças acompanhadas, na comparação com o dia anterior:
| Estado | Preço médio atual | Dia anterior |
|---|---|---|
| São Paulo | R$ 379,33 | R$ 377,33 |
| Goiás | R$ 363,93 | R$ 361,25 |
| Minas Gerais | R$ 368,53 | R$ 367,35 |
| Mato Grosso do Sul | R$ 370,11 | R$ 369,09 |
| Mato Grosso | R$ 349,05 | R$ 347,77 |
São Paulo apresentou o maior preço médio entre os estados listados, a R$ 379,33, enquanto Mato Grosso registrou R$ 349,05. Em ambos os casos, houve avanço em relação à véspera.
Oferta limitada mantém frigoríficos nas compras
A dificuldade para completar as escalas de abate tem levado as indústrias frigoríficas a permanecerem ativas na aquisição de animais. De acordo com a avaliação de Iglesias, as indicações de compra são elevadas gradualmente para viabilizar negócios.
A combinação de oferta restrita e necessidade de abastecimento das plantas frigoríficas sustenta o viés de alta das cotações no mercado físico. Ainda assim, o comportamento dos preços não é uniforme entre as regiões produtoras.
Carne bovina no atacado também registra preços mais altos
No mercado atacadista, os preços da carne bovina subiram ao longo da semana. O movimento foi favorecido pela entrada dos salários na economia e pela intensificação da reposição de estoques entre atacadistas e varejistas.
Em São Paulo, o quarto traseiro chegou a R$ 29,50 por quilo, concentrando o movimento mais evidente de valorização. O quarto dianteiro permaneceu em R$ 22,00 por quilo, enquanto a ponta de agulha foi negociada a R$ 20,50 por quilo.
Apesar da melhora nas vendas, Iglesias observa que a carne bovina ainda enfrenta concorrência de proteínas mais baratas, especialmente a carne de frango e os cortes suínos. Essa diferença de preços continua sendo um fator de limitação para o consumo de carne bovina.
Dólar encerra sessão acima de R$ 5
No câmbio, o dólar comercial terminou a sessão com alta de 0,20%, cotado a R$ 5,0243 para venda e R$ 5,0223 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana oscilou entre R$ 5,0003 e R$ 5,0268.
Perspectiva para o mercado do boi gordo
A oferta limitada de animais e as escalas curtas de abate permanecem como os principais fatores de sustentação das cotações. Na avaliação apresentada pela Safras & Mercado, esse quadro favorece a continuidade dos reajustes no curto prazo, com diferenças entre as praças de comercialização.
No atacado, a melhora no ritmo de reposição ajuda a sustentar os preços da carne, mas a concorrência de frango e suínos continua impondo limites ao avanço das vendas.
Fonte das informações: Safras & Mercado, em reportagem de Victor Faverin publicada pelo Canal Rural/Safras News em 8 de outubro de 2026.
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