O mercado brasileiro de soja iniciou o mês de outubro em ritmo lento, com pouca liquidez e negócios bastante pontuais. Nesta quinta-feira (1º), os preços apresentaram comportamento misto nas principais regiões produtoras, refletindo um ambiente ainda travado entre vendedores e compradores.
De um lado, o produtor segue retraído, evitando avançar em novas negociações. Do outro, compradores trabalham com ofertas mais contidas, reduzindo os bids e mantendo os volumes comercializados em níveis modestos.
Ao mesmo tempo, o mercado internacional trouxe um viés de pressão. Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros fecharam em baixa, influenciados por previsões de clima favorável à colheita nos Estados Unidos, aversão global ao risco e liquidação de posições por parte dos fundos.
Mesmo assim, o avanço do dólar e a leve firmeza dos prêmios ajudaram a impedir perdas mais intensas no mercado interno.
Mercado físico da soja começa outubro com baixa liquidez
O início do mês foi marcado por um mercado lento no Brasil.
Segundo a leitura apresentada pela Safras & Mercado, o ambiente segue travado porque o produtor continua afastado das negociações, enquanto os compradores reduzem suas indicações de preço.
Esse descompasso limita a formação de negócios e faz com que o mercado opere com baixa fluidez.
Na prática, isso significa que:
- há pouca disposição de venda por parte do produtor;
- os compradores mantêm postura cautelosa;
- os preços oscilam regionalmente;
- o volume negociado segue reduzido.
Preços da soja no Brasil: como ficaram as principais praças
As referências do mercado físico mostraram recuos em algumas regiões e estabilidade em outras.
Confira os valores informados no fechamento do dia:
- Passo Fundo (RS): caiu de R$ 154,50 para R$ 153,00
- Santa Rosa (RS): caiu de R$ 155,50 para R$ 154,00
- Cascavel (PR): caiu de R$ 150,00 para R$ 149,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 147,00
- Dourados (MS): manteve em R$ 147,00
- Rio Verde (GO): manteve em R$ 146,00
- Paranaguá (PR): caiu de R$ 161,00 para R$ 160,00
- Rio Grande (RS): caiu de R$ 162,50 para R$ 162,00
Os números mostram que o mercado doméstico teve perdas moderadas em pontos importantes, especialmente no Sul, mas sem movimentos bruscos.
Por que a soja não reagiu no começo de outubro?
A ausência de reação mais forte nos preços da soja está ligada à combinação de fatores internos e externos.
Entre os principais pontos que explicam o comportamento do mercado estão:
- pouca liquidez no mercado físico;
- retração do produtor;
- redução dos bids por parte dos compradores;
- queda dos contratos futuros em Chicago;
- ambiente internacional mais defensivo;
- dúvidas sobre a demanda global.
Ainda que dólar e prêmios tenham ajudado a sustentar parcialmente as cotações no Brasil, esses fatores não foram suficientes para reaquecer os negócios de forma mais consistente.
Chicago pressionou o mercado com clima favorável nos EUA
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja encerraram o pregão em baixa.
A principal pressão veio da expectativa de clima favorável ao avanço da colheita norte-americana. Quando o mercado enxerga boas condições para a entrada da safra, tende a trabalhar com menor risco de oferta imediata, o que pesa sobre os preços.
Além disso, também influenciaram o movimento:
- aversão ao risco no mercado internacional;
- liquidação de posições pelos fundos;
- dúvidas sobre a demanda;
- expectativa de esmagamento menor nos Estados Unidos em setembro.
Exportações dos EUA ficaram dentro das expectativas
Os dados de exportação norte-americana ajudaram a compor o quadro do mercado.
As vendas líquidas de soja dos Estados Unidos para a temporada 2026/27, iniciada em 1º de setembro, somaram 1,033 milhão de toneladas na semana encerrada em 24 de setembro.
A China liderou as compras, com 589,4 mil toneladas.
O volume ficou dentro das expectativas do mercado, que variavam entre 500 mil e 1,4 milhão de toneladas.
Apesar disso, os números não foram suficientes para impulsionar uma recuperação mais consistente em Chicago.
Demanda chinesa ainda inspira cautela
Mesmo com a China aparecendo como principal compradora, o cenário ainda exige prudência.
O mercado acompanha com atenção sinais relacionados ao ritmo da demanda chinesa, especialmente diante de estoques elevados nas unidades de esmagamento do país.
Esse contexto ajuda a explicar por que a presença da China nas compras não foi suficiente para dar sustentação mais firme aos contratos futuros.
Em momentos como este, o mercado tende a reagir não apenas ao volume comprado, mas também à percepção sobre continuidade da demanda e necessidade futura de reposição.
Fechamento dos contratos futuros da soja
No encerramento do pregão, os principais contratos da soja registraram perdas.
Soja em grão
- Novembro de 2026: fechou em US$ 12,88 1/4 por bushel, com baixa de 4,75 centavos, ou 0,36%
- Janeiro de 2027: encerrou em US$ 13,09 por bushel, com recuo de 3,50 centavos, ou 0,26%
Farelo de soja
- Dezembro de 2026: fechou a US$ 353,30 por tonelada, com perda de US$ 3,60, ou 1,00%
Óleo de soja
- Dezembro de 2026: terminou em 67,38 centavos de dólar por libra-peso, queda de 0,91 centavo, ou 1,33%
Esses dados reforçam o viés de pressão observado ao longo do dia.
Dólar em alta ajudou a sustentar o mercado interno
Se Chicago pressionou, o câmbio ajudou a equilibrar parcialmente o cenário no Brasil.
O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,98%, negociado a:
- R$ 5,2237 para venda
- R$ 5,2217 para compra
Durante o dia, a moeda oscilou entre:
- mínima de R$ 5,1697
- máxima de R$ 5,2367
A alta do dólar costuma oferecer suporte ao mercado brasileiro de soja porque melhora a remuneração em reais para a exportação e ajuda a limitar quedas internas quando Chicago está sob pressão.
Prêmios firmes também ajudaram a evitar perdas maiores
Outro fator importante foi a leve alta dos prêmios.
Os prêmios representam um componente decisivo na formação do preço pago ao produtor e à originação nos portos. Quando permanecem firmes, podem compensar parte da fraqueza dos contratos futuros internacionais.
Neste começo de outubro, a combinação entre dólar mais alto e prêmios com leve sustentação evitou uma deterioração mais forte das cotações no Brasil.
Ainda assim, como o mercado segue com baixa liquidez, o impacto prático sobre os negócios foi limitado.
O que esperar da soja no início de outubro?
O cenário de curto prazo continua pedindo cautela.
O mercado físico tende a continuar travado enquanto:
- o produtor mantiver postura retraída;
- os compradores reduzirem agressividade nos preços;
- Chicago permanecer pressionada;
- a demanda internacional não mostrar sinais mais fortes de retomada.
Por outro lado, o dólar e os prêmios podem seguir funcionando como colchão de proteção para o mercado interno.
Se houver alguma melhora no fluxo de negócios, ela pode vir de uma combinação entre ajuste cambial, oportunidade pontual de prêmio e eventual mudança no humor de Chicago.
Pontos que merecem atenção nos próximos dias
Para quem acompanha a soja, alguns fatores devem permanecer no radar:
- andamento da colheita nos Estados Unidos;
- comportamento dos fundos em Chicago;
- dados de esmagamento e exportação norte-americanos;
- ritmo da demanda chinesa;
- variações do dólar;
- comportamento dos prêmios nos portos;
- disposição de venda do produtor brasileiro.
Esses elementos serão importantes para definir se o mercado segue travado ou se encontra espaço para uma reação mais clara ao longo do mês.
Perguntas frequentes
A soja subiu ou caiu no começo de outubro?
O mercado teve comportamento misto, com quedas em algumas praças e estabilidade em outras.
Por que o mercado está travado?
Porque o produtor segue retraído e os compradores reduziram os bids, o que limita a liquidez.
Como Chicago influenciou o mercado?
Os contratos futuros caíram, pressionados pelo clima favorável à colheita nos Estados Unidos, aversão ao risco e liquidação de posições por fundos.
O dólar ajudou os preços no Brasil?
Sim. A alta do dólar ajudou a limitar uma pressão maior sobre as cotações internas.
Os prêmios também ajudaram?
Sim. A leve firmeza dos prêmios contribuiu para evitar perdas mais intensas.
Qual a tendência para os próximos dias?
O cenário ainda é de cautela, com mercado lento e dependente do comportamento de Chicago, do dólar e da demanda internacional.
Fontes: Safras & Mercado, Reuters e USDA.
Ative as notificações do Safra Diária (sino no topo da página) para acompanhar as principais notícias, tendências e oportunidades do agro.




