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Tecnologia

Embrapa lança plataforma Trace para rastreabilidade de soja, café e carne

Tablet com mapa de geolocalização em frente a armazéns e caminhão em propriedade agrícola

A Embrapa apresentou uma nova plataforma chamada Embrapa Trace para rastrear a produção de soja, café e carne bovina. A ferramenta consolida informações sobre origem e condições de produção ao longo da cadeia, com o objetivo de facilitar a comprovação de conformidade em mercados internacionais.

Como a plataforma opera

  • Dados e validação: o sistema reúne informações declaradas por produtores e agroindústrias e valida certificações existentes para gerar um parecer único de conformidade.
  • Formato API: a tecnologia está disponível como API, permitindo que sistemas de empresas e agentes integrem dados e acompanhem etapas da produção.
  • Rastreamento completo: abrange desde o cadastro da propriedade e das áreas produtivas até transporte, armazenagem e processamento.
  • Integrações técnicas: a plataforma conecta-se a soluções da Embrapa, como o TerraClass (feito em parceria com o Inpe) e o ElegiAgro, que cruzam informações sobre uso do solo e dados cadastrais, fundiários e geoespaciais.
  • Relatórios acessíveis: os resultados podem ser apresentados em um parecer único e consultados por QR Code, oferecendo suporte técnico para negociações comerciais e contestações de barreiras às exportações.

O pesquisador Anderson Alves, da Embrapa Agricultura Digital, descreve a ferramenta como um “passaporte digital do produto”, por integrar rastreabilidade e sustentabilidade em um único parecer.

Onde a plataforma se encaixa nas exigências internacionais

O Embrapa Trace foi pensado para ajudar a demonstrar conformidade com regras como a lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR). A legislação exige comprovação de que certos produtos não estão associados a áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020.

  • Prazo para grandes e médios exportadores brasileiros: comprovação exigida a partir de 30 de dezembro de 2026.
  • Prazo para micro e pequenos produtores: adequação até 30 de junho de 2027.

Segundo a Embrapa, além da EUDR a plataforma pode auxiliar no atendimento de outras exigências internacionais, por exemplo, relacionadas ao controle de antimicrobianos na produção animal.

Integração com políticas públicas

O sistema será disponibilizado como parte da plataforma AgroBrasil Mais Sustentável (AB+S), do Ministério da Agricultura. Enquanto a AB+S concentra-se na adequação socioambiental das propriedades, o Embrapa Trace amplia o acompanhamento para a rastreabilidade da produção ao longo da cadeia.

Do ponto de vista comercial, representantes do governo apontam que a rastreabilidade atua como ponte entre práticas sustentáveis no campo e a confiança exigida pelos compradores internacionais, conectando dados de origem a requisitos de mercado.

Ampliação para outras cadeias

A Embrapa informou que pretende incorporar mais cadeias produtivas à plataforma, incluindo cacau, madeira, borracha, frango de corte, suínos e pescados de aquicultura como atum e tilápia.

O que muda para produtores e empresas

  • Produtores e agroindústrias que adotarem a plataforma poderão centralizar documentação e certificações, além de tornar acessível a rastreabilidade por meio de QR Code.
  • A integração com bases como TerraClass e ElegiAgro amplia a capacidade técnica de demonstrar origem e conformidade ambiental, informação útil em negociações de exportação.

O Embrapa Trace entra, assim, como uma ferramenta tecnológica para apoiar a apresentação de evidências técnicas em cadeias prioritárias do agronegócio, com foco em requisitos de mercados externos e na interoperabilidade entre sistemas públicos e privados.