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Bioenergia

ANP autoriza primeiras certificações de biometano e abre emissão de CGOBs

Planta industrial de biogás com tanques e tubulações, representando produção de biometano

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou as três primeiras certificações de produtores de biometano no Brasil. Com a chancela, essas unidades ficam aptas a emitir Certificados de Garantia de Origem de Biometano (CGOB), instrumento que já nasce como peça-chave no novo mercado de descarbonização do setor de gás.

Por que os CGOBs importam para 2026

O mercado regulado precisa cumprir uma meta de redução de emissões ainda em 2026 de 0,5%. Essa redução pode ser alcançada tanto pela compra direta de biometano quanto pela aquisição de CGOBs — cada CGOB equivale a 100 metros cúbicos de biometano —, tornando-os um mecanismo prático para distribuidoras e demais agentes do setor se adequarem à meta.

Quem foram as primeiras unidades certificadas

  • CRI Geo Biogás — parceria entre Crivellaro Ambiental e Geo bio gas&carbon; produz biometano a partir de resíduos industriais.
  • SPE Central de Tratamento Integrado Resíduo Zero Ltda — do Grupo Solvi; produz a partir de resíduos urbanos.
  • Biometano Verde Paulínia S.A — joint venture entre Edge (Cosan) e Orizon VR; também produz a partir de resíduos urbanos.

As três certificações foram realizadas pela Totum e têm validade de quatro anos.

Etapas restantes antes da emissão dos certificados

Embora já certificadas pela ANP, as unidades dependem da conclusão da Plataforma CGOB, em desenvolvimento pelo Serpro. O sistema será responsável por gerar o lastro necessário para a emissão e negociação dos CGOBs.

Direito às emissões retroativas

Os produtores certificados ao longo deste ano poderão emitir CGOBs relativos à comercialização de biometano ocorrida desde janeiro de 2026, conforme o calendário regulatório vigente.

Implicações para o agro e o mercado

O agronegócio é apontado como um dos principais geradores de biometano e detém o maior potencial de produção no país. A entrada em operação do mercado de CGOBs tende a criar uma nova via de receita para geradores rurais e industriais, além de oferecer aos compradores um instrumento padronizado para cumprimento da meta de descarbonização.

O que acompanhar

  • Conclusão e operacionalização da Plataforma CGOB pelo Serpro, que viabilizará a emissão efetiva dos certificados;
  • Ampliação do número de certificações pela ANP, com vistas a aumentar oferta de CGOBs no mercado;
  • Movimentação de compradores (distribuidoras e grandes consumidores) em busca de CGOBs para cumprir a meta de 2026.

Para produtores interessados, o avanço indica a importância de consolidar registros e processos que facilitem a certificação e a integração à plataforma eletrônica, quando estiver disponível.