Agrotóxicos são produtos químicos ou biológicos usados na agricultura para controlar pragas, doenças e plantas daninhas que ameaçam as lavouras. No Brasil, a legislação adota esse termo para designar defensivos agrícolas em geral, incluindo herbicidas, inseticidas, fungicidas, acaricidas e nematicidas. O uso é regulado por órgãos federais, e o registro de cada produto exige avaliação agronômica, toxicológica e ambiental.
Como funciona
Cada categoria de agrotóxico atua sobre um tipo de organismo-alvo. Herbicidas interferem em processos fisiológicos das plantas invasoras, como a fotossíntese ou a síntese de aminoácidos. Inseticidas agem sobre o sistema nervoso ou o desenvolvimento dos insetos. Fungicidas impedem a germinação de esporos ou o crescimento de fungos nos tecidos vegetais. A aplicação pode ser feita por pulverizadores terrestres, aviões agrícolas, drones ou no tratamento de sementes.
No Brasil, o registro envolve três órgãos: o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que avalia a eficiência agronômica; a Anvisa, responsável pela avaliação toxicológica para a saúde humana; e o Ibama, que analisa o impacto ambiental. Cada produto recebe uma classificação de toxicidade e de periculosidade ambiental, informada no rótulo e na bula.
Por que importa para o produtor
Os defensivos representam uma das maiores parcelas do custo de produção de culturas como soja, milho, algodão e café. Ao mesmo tempo, o uso incorreto traz riscos: intoxicação de trabalhadores, contaminação de água e solo, resíduos acima do permitido nos alimentos e seleção de pragas e plantas daninhas resistentes. A resistência do capim-amargoso ao glifosato e da lagarta Helicoverpa a determinados inseticidas são exemplos de problemas que elevaram custos em várias regiões produtoras.
Por isso, o manejo integrado de pragas (MIP) recomenda que o agrotóxico seja apenas uma das ferramentas, aplicado quando o monitoramento indica que a praga atingiu o nível de dano econômico.
Na prática
Um produtor de soja no Mato Grosso costuma iniciar a safra com o tratamento de sementes, seguido de herbicidas na dessecação pré-plantio, inseticidas conforme o monitoramento de lagartas e percevejos, e fungicidas para controlar a ferrugem asiática. Cada aplicação exige receituário agronômico emitido por engenheiro agrônomo, uso de equipamentos de proteção individual e respeito ao período de carência, intervalo mínimo entre a última aplicação e a colheita.
As embalagens vazias devem passar pela tríplice lavagem e ser devolvidas a postos de recebimento, sistema coordenado no Brasil pelo inpEV. A Embrapa e as instituições estaduais de pesquisa publicam recomendações de rotação de mecanismos de ação para retardar o surgimento de resistência.
Termos relacionados
- Manejo integrado de pragas
- Receituário agronômico
- Ferrugem asiática
- Controle biológico
- Período de carência