Manejo integrado de pragas, ou MIP, é uma estratégia de controle de insetos, ácaros e outros organismos nocivos que combina diferentes métodos, com base no monitoramento da lavoura e em níveis de dano definidos pela pesquisa. Em vez de aplicar defensivos por calendário, o produtor decide intervir apenas quando a população da praga atinge um patamar que justifica o custo do controle.
Como funciona
O MIP se apoia em três pilares. O primeiro é o monitoramento: amostragens periódicas no campo, com pano de batida, armadilhas ou inspeção visual, para contar as pragas e seus inimigos naturais. O segundo é o nível de controle, ou nível de dano econômico, um número de indivíduos por planta ou por metro a partir do qual a perda esperada supera o custo da intervenção. O terceiro é a integração de táticas: controle biológico (parasitoides, predadores, fungos e vírus que atacam insetos), controle cultural (rotação, época de plantio, destruição de restos culturais), variedades resistentes, feromônios e, quando necessário, controle químico com produtos seletivos.
A rotação de ingredientes ativos e o uso de inseticidas que poupam inimigos naturais fazem parte da estratégia, para evitar que a praga desenvolva resistência e que pragas secundárias se tornem problema.
Por que importa para o produtor
O MIP reduz o número de aplicações, o custo com defensivos e o risco de resistência, além de diminuir resíduos e impactos ambientais. Ao preservar os inimigos naturais, o sistema tende a se estabilizar ao longo dos anos, com menor pressão de pragas. Em contrapartida, exige tempo de campo, treinamento e disciplina para monitorar e registrar os dados.
- Menos pulverizações e menor custo por hectare.
- Menor risco de seleção de populações resistentes.
- Decisão baseada em dados e não em calendário.
Na prática
A Embrapa Soja e a Emater do Paraná mantêm programas de MIP em soja com produtores que adotam amostragem semanal com pano de batida e níveis de controle para lagartas e percevejos. O controle biológico em larga escala ganhou espaço no Brasil: vespas do gênero Trichogramma para lagartas em milho e cana, o fungo Beauveria bassiana para percevejos e mosca-branca, o baculovírus para lagartas em soja, e o parasitoide Cotesia flavipes para a broca da cana, aplicado em extensas áreas canavieiras de São Paulo. Feromônios e armadilhas monitoram o bicudo-do-algodoeiro nas lavouras de Mato Grosso e da Bahia. Cultivares de soja e milho com tecnologia Bt são integradas ao MIP, com áreas de refúgio para manter a eficácia da proteína inseticida.
Termos relacionados
- Controle biológico
- Nível de dano econômico
- Resistência de pragas
- Área de refúgio
- Defensivos agrícolas