Extrativismo é a atividade de coleta de produtos da natureza, vegetais, animais ou minerais, sem que tenham sido cultivados ou criados pelo homem. No contexto agrícola e florestal brasileiro, refere-se principalmente ao extrativismo vegetal: a coleta de frutos, sementes, fibras, óleos, resinas e outros produtos de florestas e ecossistemas nativos, como açaí, castanha-do-brasil, babaçu, pequi, borracha, carnaúba e erva-mate nativa.
Como funciona
O extrativismo depende do conhecimento sobre a época de maturação, a localização das plantas e as técnicas de coleta que não comprometem a regeneração. Comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas e ribeirinhas concentram grande parte dessa atividade, frequentemente combinada com pequenos roçados, pesca e criação de animais.
Após a coleta, o produto passa por beneficiamento, que pode ser simples, como a secagem e a quebra da castanha, ou mais elaborado, como a extração de óleos e a despolpa de frutos. A comercialização envolve atravessadores, cooperativas e, cada vez mais, indústrias de alimentos, cosméticos e fármacos interessadas em ingredientes da sociobiodiversidade. O IBGE acompanha a produção extrativa vegetal por meio de pesquisa anual.
Por que importa para o produtor
Para milhares de famílias da Amazônia, do Cerrado e da Caatinga, o extrativismo é a principal fonte de renda monetária e ocorre em áreas que permanecem com a vegetação em pé, o que o torna uma alternativa econômica à conversão da floresta em pasto ou lavoura. Instrumentos como a Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sociobiodiversidade, operada pela Conab, asseguram um piso de preço para vários produtos extrativos.
O desafio é a baixa remuneração ao coletor, a sazonalidade e a dificuldade de escoamento. A organização em cooperativas e o acesso a compradores institucionais melhoram a renda.
Na prática
O açaí, no Pará e no Amapá, é o produto extrativo de maior valor, com parte da produção vinda de açaizais nativos manejados nas várzeas e parte de plantios. A castanha-do-brasil, coletada em castanhais nativos do Acre, do Amazonas e do Pará, é exportada e movimenta cooperativas extrativistas. O babaçu, no Maranhão e no Piauí, sustenta as quebradeiras de coco, e a carnaúba, no Ceará e no Piauí, fornece cera para diversas indústrias.
Reservas Extrativistas, categoria de unidade de conservação criada a partir da luta dos seringueiros do Acre, garantem o uso sustentável da floresta por populações tradicionais. A Embrapa pesquisa o manejo de espécies nativas e o beneficiamento de produtos da sociobiodiversidade.
Termos relacionados
- Sociobiodiversidade
- Reserva Extrativista
- Açaí
- Política de Garantia de Preços Mínimos
- Sistema agroflorestal