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Glossário

O que é Evapotranspiração

Evapotranspiração é a soma da água que evapora da superfície do solo e da que é transpirada pelas plantas através das folhas. É a principal forma de saída de água de uma lavoura e, por isso, o parâmetro central para calcular quanto uma cultura consome e quanto precisa ser reposto pela chuva ou pela irrigação.

Como funciona

A planta absorve água pelas raízes, transporta pelo caule e libera vapor pelos estômatos, pequenos poros nas folhas que se abrem para captar gás carbônico. Ao mesmo tempo, o solo úmido perde água diretamente para a atmosfera. Os dois processos ocorrem juntos e são difíceis de separar em campo, daí o uso de um único termo.

A intensidade depende do clima: radiação solar, temperatura, umidade do ar e vento. Dias quentes, secos e ventosos aumentam a demanda; dias nublados e úmidos a reduzem. Também depende da cultura e de seu estágio. Uma lavoura recém-emergida transpira pouco; no florescimento e no enchimento de grãos, o consumo atinge o pico.

Para padronizar, agrônomos trabalham com dois conceitos. A evapotranspiração de referência (ETo) é a de uma superfície gramada bem irrigada, calculada a partir de dados meteorológicos. A evapotranspiração da cultura (ETc) é obtida multiplicando a ETo por um coeficiente de cultura (Kc), que varia conforme a espécie e a fase de desenvolvimento.

Por que importa para o produtor

Saber quanto a lavoura evapotranspira permite calcular o balanço hídrico: se a chuva e a irrigação repõem ou não o que sai. Isso orienta quando e quanto irrigar, evitando tanto o estresse hídrico quanto o desperdício de água e energia. Em sequeiro, o conceito ajuda a entender por que um veranico de poucos dias no florescimento causa mais dano do que semanas secas em fases iniciais.

A evapotranspiração também é base para o zoneamento agrícola, que define janelas de plantio com menor risco de déficit hídrico nas fases mais sensíveis.

Na prática

Estações meteorológicas automáticas, inclusive as do Inmet e as instaladas em fazendas, fornecem os dados para estimar a ETo diariamente. Produtores irrigantes do Oeste da Bahia, do Noroeste de Minas Gerais e do Vale do São Francisco usam esses números, combinados ao Kc de culturas como milho, feijão, algodão, uva e manga, para programar pivôs centrais e sistemas de gotejamento.

A Embrapa publica coeficientes de cultura ajustados às condições brasileiras e mantém ferramentas de manejo de irrigação que calculam a lâmina de água a aplicar. Em regiões semiáridas, onde a evapotranspiração supera a chuva na maior parte do ano, a diferença entre as duas define a viabilidade de qualquer cultivo sem irrigação.

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