Kc, ou coeficiente de cultura, é um número sem unidade que relaciona a quantidade de água que uma lavoura consome em determinada fase com a evapotranspiração de referência (ETo), calculada a partir de dados de clima. Multiplicando a ETo pelo Kc, obtém-se a evapotranspiração da cultura (ETc), ou seja, a lâmina de água que a planta realmente precisa em cada etapa do ciclo.
Como funciona
A evapotranspiração de referência representa o consumo de água de uma superfície gramada padrão, bem irrigada, sob as condições de temperatura, radiação, umidade e vento do local. Como cada cultura tem porte, área foliar e sistema radicular diferentes, o Kc corrige esse valor de referência. O coeficiente é baixo logo após a semeadura, quando o solo está quase descoberto e a maior parte da perda de água é evaporação direta; sobe à medida que o dossel fecha e a transpiração aumenta; atinge o máximo no florescimento e no enchimento de grãos; e cai na maturação, quando as folhas envelhecem.
A metodologia mais usada é a da FAO, que descreve o Kc em quatro fases: inicial, desenvolvimento, intermediária e final. Os valores tabelados são ajustados às condições locais por meio de pesquisas de instituições como a Embrapa e universidades brasileiras, uma vez que cultivar, espaçamento, manejo e clima alteram o consumo real.
Por que importa para o produtor
Para quem irriga, o Kc é a base do manejo da irrigação: sem ele, o produtor tende a aplicar água demais, com gasto de energia e lixiviação de nutrientes, ou de menos, com perda de produtividade justamente nas fases críticas. Em lavouras de sequeiro, o coeficiente ajuda a estimar a demanda hídrica ao longo do ciclo e a avaliar o risco de déficit, o que alimenta modelos como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático.
- Permite calcular a lâmina de irrigação por fase fenológica.
- Reduz custos com energia e água em pivôs e gotejamento.
- Serve de insumo para balanços hídricos e previsões de safra.
Na prática
Um produtor de feijão irrigado sob pivô central no oeste da Bahia consulta a ETo da estação meteorológica mais próxima ou de uma estação própria e multiplica pelo Kc da fase em que a lavoura está. A título de exemplo, se a ETo do dia é de 5 mm e o Kc da fase intermediária está próximo de 1, a cultura consumiu cerca de 5 mm, que precisam ser repostos descontando a chuva. Em cana-de-açúcar irrigada no Triângulo Mineiro, o Kc varia ao longo de um ciclo de mais de um ano, e na fruticultura do Vale do São Francisco as tabelas são específicas para manga, uva e outras frutas. Aplicativos de manejo de irrigação e controladores de pivô incorporam os coeficientes para automatizar o cálculo diário da lâmina.
Termos relacionados
- Evapotranspiração
- Manejo da irrigação
- Balanço hídrico
- Pivô central
- Déficit hídrico