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Glossário

O que é Hedge agrícola

Hedge agrícola é a operação de proteção de preço em que o produtor, a cooperativa ou a indústria trava antecipadamente o valor de venda ou de compra de uma commodity para reduzir o risco de oscilações do mercado. A ferramenta mais conhecida é o contrato futuro negociado em bolsa, mas o hedge também pode ser feito com opções, contratos a termo e vendas antecipadas para tradings.

Como funciona

O princípio é assumir, no mercado financeiro, uma posição contrária à que se tem no campo. Quem vai colher soja daqui a alguns meses está exposto à queda do preço; para se proteger, vende contratos futuros de soja na bolsa. Se o preço cair até a colheita, a perda na venda física é compensada pelo ganho na posição futura. Se o preço subir, ocorre o inverso: o produtor deixa de ganhar no futuro, mas vende o grão físico mais caro. Em ambos os casos, o resultado final fica próximo do preço travado.

As opções funcionam como um seguro: ao comprar uma opção de venda, o produtor paga um prêmio e garante um preço mínimo, mas mantém a chance de aproveitar altas. Já o contrato a termo ou a venda antecipada fixa preço, quantidade e data de entrega diretamente com o comprador, sem passar pela bolsa.

Como as cotações internacionais são em dólar, muitos produtores fazem também hedge cambial, travando a taxa de conversão para não perder com a valorização do real.

Por que importa para o produtor

O ciclo agrícola é longo: entre a compra de insumos e a venda da colheita passam-se muitos meses, durante os quais o preço pode mudar bastante. Travar parte da produção quando as cotações cobrem os custos e garantem margem dá previsibilidade ao fluxo de caixa e facilita o acesso a financiamento. Bancos e tradings costumam olhar com mais tranquilidade para quem tem parte da safra protegida.

O hedge não busca o melhor preço possível, e sim um preço aceitável e conhecido. Ele exige disciplina e, no caso de futuros em bolsa, capital para cobrir ajustes diários de margem.

Na prática

Produtores de soja e milho do Centro-Oeste usam contratos futuros da Bolsa de Chicago e da B3, além de vendas antecipadas para tradings com preço fixado ou a fixar. Cafeicultores de Minas Gerais acompanham a Bolsa de Nova York e frequentemente combinam venda física com opções. Pecuaristas e frigoríficos utilizam os contratos de boi gordo da B3, referenciados no indicador do CEPEA.

Os contratos têm tamanhos padronizados, definidos em número fixo de sacas de 60 quilos no caso dos grãos e em arrobas no caso do boi. Corretoras, cooperativas e consultorias auxiliam na montagem das operações, e a Conab e o CEPEA fornecem indicadores de custo e de preço que ajudam o produtor a definir a partir de que patamar vale a pena travar.

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