Saca de 60 kg é a unidade padrão de comercialização e de cotação de grãos no Brasil. Quando se fala que a soja está a determinado valor a saca ou que uma lavoura de milho rendeu tantas sacas por hectare, a referência é sempre um volume de 60 quilos do produto. A unidade tem origem na época em que os grãos eram ensacados manualmente em sacos de juta, mas continua em uso mesmo com a produção a granel, por ser familiar a todos os elos da cadeia.
Como funciona
A saca funciona como unidade de conta. A produção física é medida em toneladas nas balanças de caminhões e armazéns e depois convertida: uma tonelada equivale a 16,67 sacas de 60 kg, e uma saca corresponde a 0,06 tonelada. As cotações divulgadas por bolsas, cooperativas, corretoras e indicadores como os do CEPEA são expressas em reais por saca, o que permite ao produtor comparar diretamente o preço com seu rendimento por hectare e com o custo de produção calculado na mesma unidade.
Nem todos os produtos usam a saca de 60 kg. O arroz em casca é negociado em sacas de 50 kg; o algodão em pluma e o boi gordo, em arrobas de 15 kg; a cana-de-açúcar, em toneladas; o café, em sacas de 60 kg de café beneficiado, ou seja, já sem a casca. Soja, milho, trigo, feijão, sorgo e cevada seguem a saca de 60 kg. Em contratos internacionais, as referências são o bushel, nas bolsas norte-americanas, e a tonelada métrica, nos mercados de exportação, com conversões que o mercado faz rotineiramente.
Por que importa para o produtor
Pensar em sacas simplifica as decisões do dia a dia. O produtor sabe quantas sacas precisa colher por hectare para cobrir o custo, quantas sacas equivalem a uma tonelada de fertilizante em operações de troca, quantas sacas cabem em um caminhão de determinado peso e quantas foram vendidas antecipadamente. Erros de conversão entre sacas, toneladas e quilos são fonte comum de divergências em contratos e em cálculos de rendimento, e por isso a unidade deve estar sempre explícita.
Na prática
Um caminhão bitrem que carrega cerca de 37 toneladas de soja transporta pouco mais de 600 sacas. Uma lavoura de milho que rendeu 6.000 kg por hectare produziu 100 sacas por hectare. Nas operações de barter, o produtor combina entregar uma quantidade de sacas de soja na colheita em troca de fertilizantes ou sementes recebidos no plantio. O indicador da soja do CEPEA na praça de Paranaguá e o indicador do milho em Campinas são cotados por saca e servem de referência para contratos em todo o país, com prêmios ou descontos conforme a região e a logística.
Termos relacionados
- Arroba
- Hectare
- Rendimento por hectare
- Indicador CEPEA
- Barter