Sojicultura é a atividade de cultivo da soja, leguminosa de origem asiática que se tornou a principal cultura agrícola do Brasil em área, produção e valor exportado. O país está entre os maiores produtores e exportadores mundiais do grão e de seus derivados, o farelo e o óleo, e a cadeia da soja movimenta insumos, máquinas, transporte, portos e indústrias em todas as regiões.
Como funciona
A soja é uma planta anual de ciclo relativamente curto, entre cerca de 100 e 130 dias, dependendo da cultivar e da região. O plantio ocorre no início da estação chuvosa, de setembro a dezembro, e a colheita, de janeiro a maio. Por ser leguminosa, associa-se a bactérias do gênero Bradyrhizobium, que fixam nitrogênio do ar nas raízes; por isso, a adubação nitrogenada é substituída pela inoculação das sementes, uma das práticas que mais reduzem o custo da cultura no Brasil.
O sistema de produção predominante é o plantio direto sobre a palhada da cultura anterior, com cultivares adaptadas a cada faixa de latitude e, em grande parte, transgênicas, tolerantes a herbicidas ou resistentes a lagartas. Os principais desafios fitossanitários são a ferrugem asiática, doença fúngica cuja pressão é reduzida pelo vazio sanitário, período em que é proibido manter plantas vivas de soja no campo, além de percevejos, lagartas, nematoides e plantas daninhas resistentes. Após a colheita, a mesma área costuma receber milho ou algodão de segunda safra.
Por que importa para o produtor
A soja tem mercado líquido, com cotações diárias e compradores em todo o território, o que facilita a venda antecipada, o barter com insumos e o acesso ao crédito. Sua rentabilidade sustenta o investimento em máquinas, correção de solo e infraestrutura que beneficiam as demais culturas da propriedade. Por outro lado, a dependência de um único produto expõe o produtor às oscilações do preço internacional, do câmbio e do custo dos fertilizantes importados.
Na prática
Mato Grosso é o maior produtor, seguido por Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul; a região do Matopiba, formada por áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, é a fronteira mais recente. Os preços internos seguem a bolsa de Chicago, o dólar e os prêmios negociados nos portos de Paranaguá, Santos e do Arco Norte. O indicador de soja do CEPEA é a referência de preço à vista, e a Conab acompanha área, produtividade e produção em levantamentos mensais. A Embrapa Soja, em Londrina, desenvolveu boa parte das tecnologias que permitiram a expansão da cultura para o Cerrado, incluindo cultivares adaptadas a baixas latitudes e o manejo da inoculação.
Termos relacionados
- Vazio sanitário
- Ferrugem asiática
- Safrinha
- Plantio direto
- Farelo de soja