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Pecuária

Arroba do boi fecha a semana em alta e mercado segue firme na maioria das praças

Boi gordo em pastagem com gráfico de alta da arroba
Escalas de abate curtas sustentam a arroba; São Paulo fechou a semana a R$ 359,33 e o atacado da carne também subiu.

O mercado físico do boi gordo terminou a semana mantendo o movimento de valorização em grande parte do país. As negociações continuam ocorrendo acima das referências médias em várias regiões, sustentadas principalmente pela dificuldade de parte da indústria em alongar suas escalas de abate.

Na avaliação do mercado, o cenário segue mais apertado para frigoríficos de pequeno e médio porte, que encontram maior resistência na compra de animais e enfrentam desafios para completar suas programações no curto prazo.

A exceção mais evidente continua sendo o Mato Grosso, onde as escalas apresentam situação relativamente mais confortável quando comparadas a outras praças.

Escalas curtas seguem dando sustentação ao boi gordo

O principal fator de sustentação dos preços continua sendo o encurtamento das escalas de abate.

Quando a indústria tem menos dias de programação garantida, cresce a necessidade de buscar animais com maior agressividade no mercado físico. Esse movimento tende a pressionar a arroba para cima, especialmente em regiões onde a oferta está mais ajustada.

Segundo a leitura do analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, essa dinâmica ainda favorece novos reajustes no curto prazo, sobretudo entre frigoríficos menores, que possuem menos alternativas de originação.

Já as empresas de maior porte seguem em posição relativamente mais confortável, apoiadas por contratos de parceria e pela utilização de confinamentos próprios.

Mercado futuro ainda oferece prêmio relevante

Mesmo com a valorização recente do mercado físico, os contratos futuros do boi gordo continuam negociando com prêmio em relação à arroba atual.

Isso significa que o mercado ainda enxerga possibilidade de preços sustentados à frente ou, ao menos, um ambiente de firmeza suficiente para manter níveis atrativos na B3.

Para o pecuarista, esse cenário segue abrindo espaço para estratégias de proteção de margem por meio de hedge, especialmente em um momento de volatilidade e ajustes rápidos entre oferta e demanda.

Preços médios da arroba do boi nas principais praças

O fechamento da semana mostrou os seguintes valores médios:

  • São Paulo: R$ 359,33, ante R$ 358,83 no dia anterior
  • Goiás: R$ 347,86, estável em relação ao pregão anterior
  • Minas Gerais: R$ 347,35, contra R$ 345,88 anteriormente
  • Mato Grosso do Sul: R$ 354,89, acima dos R$ 353,41 do dia anterior
  • Mato Grosso: R$ 334,80, frente a R$ 334,05 anteriormente

Os números mostram que a maioria das regiões encerrou a semana com viés positivo, ainda que em alguns casos o avanço tenha sido moderado.

Mato Grosso segue como exceção no curto prazo

Entre as principais praças pecuárias do país, o Mato Grosso aparece como o estado em que a situação de oferta proporciona maior conforto às indústrias.

Isso não significa ausência de valorização, mas sim um ambiente menos tensionado quando comparado a mercados mais apertados, como São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Em momentos assim, a diferença regional ganha ainda mais importância para produtores e compradores, já que o comportamento da arroba passa a responder de forma mais sensível à disponibilidade local de animais terminados.

Atacado de carne bovina também encerra a semana em alta

O mercado atacadista de carne bovina também apresentou valorização no fechamento da semana.

A expectativa de reposição entre atacado e varejo, típica da virada do mês, ajuda a sustentar preços mais firmes no curto prazo. Esse movimento costuma ganhar força quando o varejo se prepara para um consumo um pouco mais aquecido após o pagamento de salários.

Ainda assim, a carne bovina continua enfrentando um desafio importante: a concorrência com proteínas de menor preço, especialmente a carne de frango.

Esse fator pode limitar movimentos de alta mais intensos no consumo interno.

Preços dos cortes no atacado

Segundo os dados informados no fechamento da semana, os cortes bovinos registraram os seguintes preços:

  • Quarto dianteiro: subiu R$ 1,00 e fechou em R$ 21,50 por quilo
  • Quarto traseiro: avançou R$ 0,50 e passou para R$ 28,00 por quilo
  • Ponta de agulha: aumentou R$ 1,00 e chegou a R$ 20,00 por quilo

Esse comportamento reforça a leitura de um mercado ainda firme, embora sujeito à resposta do consumidor final diante de preços elevados.

Dólar fecha o dia em queda, mas acumula alta na semana

No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão em baixa de 0,17%.

A moeda norte-americana fechou negociada a:

  • R$ 5,1847 para venda
  • R$ 5,1827 para compra

Ao longo do dia, a cotação oscilou entre:

  • mínima de R$ 5,1732
  • máxima de R$ 5,2137

Apesar da queda no fechamento diário, o dólar acumulou alta de 0,72% na semana frente ao real.

Para o setor pecuário, o comportamento do câmbio continua relevante porque influencia a competitividade das exportações brasileiras de carne bovina e, indiretamente, a sustentação do mercado interno.

O que esperar do boi gordo no curto prazo

O cenário de curto prazo ainda indica um mercado firme.

A combinação entre escalas encurtadas, dificuldade de compra por parte de frigoríficos menores e valorização do atacado cria um ambiente favorável para manutenção dos preços em níveis elevados.

Ao mesmo tempo, a competitividade da carne bovina diante de proteínas mais baratas pode limitar uma disparada ainda mais intensa no atacado.

Assim, o mercado segue com viés positivo, mas exigindo atenção dos agentes da cadeia para fatores como:

  • comportamento da oferta de animais prontos;
  • capacidade de compra da indústria;
  • reposição no varejo;
  • evolução do câmbio;
  • oportunidades de hedge no mercado futuro.

Perguntas frequentes

A arroba do boi terminou a semana em alta?

Sim. A maior parte das praças acompanhadas encerrou a semana com valorização da arroba ou estabilidade em patamares firmes.

Qual estado apresentou maior conforto nas escalas?

O Mato Grosso segue como a principal exceção, com escalas de abate relativamente mais confortáveis.

Quanto fechou a arroba em São Paulo?

O valor médio informado para São Paulo foi de R$ 359,33.

O mercado atacadista também subiu?

Sim. Os principais cortes bovinos registraram valorização no fechamento da semana.

O dólar caiu ou subiu?

No fechamento do dia, o dólar caiu 0,17%, mas terminou a semana acumulando alta de 0,72%.

Fonte: análise da Safras & Mercado (Fernando Henrique Iglesias) e cotações de fechamento da semana.

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