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Pecuária

Brasil amplia acesso de miúdos suínos à China com novo protocolo sanitário

Suínos em granja brasileira
Protocolo assinado com a China libera fígado, coração e esôfago suínos; ABPA projeta mais de 100 mil toneladas e US$ 100 milhões por ano.

Brasil e China deram mais um passo para ampliar o comércio de proteína animal. Um novo protocolo sanitário assinado neste sábado (26) autoriza a exportação de miúdos internos de suínos brasileiros ao mercado chinês, incluindo produtos como fígado, coração e esôfago.

Até então, o Brasil já tinha autorização para embarcar itens externos, como orelhas, rabos e focinhos. Com o novo acordo, a pauta exportadora ganha produtos de maior valor comercial e abre uma nova frente para frigoríficos habilitados.

A expectativa do setor é de que a medida fortaleça o aproveitamento integral da carcaça, aumente a receita das empresas e amplie a presença brasileira em um dos maiores mercados consumidores de carne suína do mundo.

Novo protocolo amplia o número de produtos autorizados

O acordo foi assinado pelo ministro da Agricultura, André de Paula, e pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao.

A autorização abrange miúdos internos que ainda não faziam parte da lista de produtos brasileiros com acesso ao mercado chinês.

Entre os itens contemplados estão:

  • fígado;
  • coração;
  • esôfago;
  • outros miúdos internos previstos no protocolo sanitário.

O Brasil já exportava para a China determinados miúdos externos, especialmente de plantas localizadas em estados com histórico sanitário reconhecido.

Com o novo protocolo, a indústria passa a ter mais opções de destinação comercial para partes do animal que possuem forte demanda no mercado asiático.

China representa mercado bilionário para miúdos suínos

Segundo informações apresentadas pelo Ministério da Agricultura, a China movimenta aproximadamente US$ 2,5 bilhões por ano em importações de miúdos suínos.

Esse volume ajuda a explicar a relevância do acordo para a indústria brasileira.

Produtos que possuem menor demanda ou valor em determinados mercados podem alcançar preços mais atrativos em países onde fazem parte dos hábitos alimentares locais.

É justamente essa complementaridade entre padrões de consumo que amplia o potencial econômico da exportação.

Mais de 100 mil toneladas podem ser destinadas ao mercado chinês

Estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) apontam que o novo protocolo pode permitir o envio de mais de 100 mil toneladas por ano de miúdos suínos brasileiros para a China.

A entidade projeta ainda que essa nova destinação comercial pode acrescentar mais de US$ 100 milhões em receita ao setor.

O potencial está ligado não apenas ao aumento do volume exportado, mas também à possibilidade de direcionar os produtos para um mercado que oferece maior valorização.

Na prática, isso melhora o aproveitamento econômico da carcaça e pode aumentar a rentabilidade das empresas exportadoras.

Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentram maior potencial

A produção de carne suína brasileira é fortemente concentrada na Região Sul, e os dados apresentados pela ABPA refletem essa realidade.

Santa Catarina

Para Santa Catarina, a entidade estima potencial de aproximadamente 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos destinadas ao mercado chinês.

O Estado possui uma das cadeias suinícolas mais estruturadas do país e mantém longa tradição nas exportações de proteína animal.

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, a estimativa supera 40 mil toneladas por ano.

Além dos miúdos, as empresas gaúchas também acompanham oportunidades relacionadas à comercialização de carne suína com osso para o mercado asiático.

Paraná também ganhou espaço nas exportações em 2026

Até recentemente, frigoríficos de Santa Catarina já possuíam acesso ao mercado chinês para determinados miúdos externos.

A partir de junho de 2026, unidades localizadas no Rio Grande do Sul e no Paraná também receberam autorização para embarques dentro dessa categoria.

O movimento mostra uma ampliação gradual da presença brasileira no mercado chinês de produtos suínos.

Protocolo prevê 16 plantas autorizadas

Segundo as informações divulgadas, 16 unidades frigoríficas estarão autorizadas a embarcar os produtos contemplados pelo novo protocolo.

A distribuição informada é:

  • 7 plantas em Santa Catarina;
  • 8 plantas no Rio Grande do Sul;
  • 1 planta em Mato Grosso.

A habilitação sanitária das unidades é uma etapa fundamental para que os embarques possam ocorrer.

Mesmo com o protocolo assinado entre os países, cada estabelecimento precisa atender aos requisitos técnicos e sanitários definidos pelas autoridades chinesas.

Acordo ocorre após auditoria chinesa no Brasil

O anúncio foi feito no encerramento de uma auditoria conduzida por técnicos chineses em estabelecimentos brasileiros.

A missão, iniciada no dia 20 de setembro, incluiu visitas a:

  • propriedades rurais;
  • frigoríficos;
  • unidades de produção;
  • laboratórios oficiais;
  • estruturas ligadas às cadeias bovina, suína e de aves.

A auditoria passou por seis estados.

Apesar do avanço relacionado aos miúdos suínos, não houve anúncio, naquele momento, de novas habilitações de plantas para outras categorias de carne nem de retirada de suspensões existentes em determinadas unidades de bovinos e aves.

Negociações vinham avançando desde maio

O protocolo assinado em setembro é resultado de uma negociação que já vinha sendo conduzida pelos dois países.

Em maio de 2026, uma missão do Ministério da Agricultura à China avançou nos detalhes técnicos necessários para a abertura do mercado aos miúdos internos de suínos.

A assinatura formal do protocolo conclui uma etapa importante desse processo e estabelece as bases sanitárias para o comércio.

Por que os miúdos têm valor estratégico para os frigoríficos

A rentabilidade de uma indústria frigorífica não depende apenas da venda dos principais cortes.

Quanto maior o número de partes da carcaça com destinação comercial valorizada, maior tende a ser o aproveitamento econômico do animal.

Miúdos, pés, orelhas e outras partes podem apresentar demanda elevada em determinados mercados internacionais.

Na China, vários desses produtos fazem parte dos hábitos de consumo e possuem valor comercial maior do que em alguns mercados ocidentais.

Isso cria uma complementaridade importante.

O Brasil consegue ampliar a receita sem necessariamente aumentar o número de animais abatidos apenas para atender a essa nova demanda.

Maior aproveitamento da carcaça pode fortalecer a cadeia

O novo mercado pode gerar efeitos em diferentes pontos da cadeia suinícola.

Entre eles:

  • maior receita para frigoríficos;
  • melhor valorização dos animais processados;
  • diversificação da pauta exportadora;
  • redução da dependência de poucos tipos de cortes;
  • melhor aproveitamento industrial da carcaça.

Em um setor de margens apertadas, pequenos ganhos em diferentes produtos podem ter impacto relevante no resultado final.

China continua estratégica para a proteína animal brasileira

A China permanece como um dos mercados mais importantes para as exportações brasileiras de carnes.

Além do grande volume consumido, o país possui demanda por produtos que muitas vezes possuem menor procura no mercado interno brasileiro.

Isso ajuda a tornar a relação comercial complementar.

Para a suinocultura, ampliar o acesso não significa apenas vender mais carne, mas diversificar o tipo de produto comercializado.

Abertura de mercado exige manutenção sanitária

A assinatura do protocolo não encerra o trabalho do setor.

Para manter o acesso ao mercado chinês, empresas e produtores precisam seguir regras sanitárias rígidas.

Isso inclui:

  • controle de doenças;
  • rastreabilidade;
  • inspeção;
  • biosseguridade;
  • cumprimento dos protocolos definidos entre os países.

A manutenção do status sanitário é um dos ativos mais importantes da suinocultura exportadora.

Qualquer ocorrência sanitária relevante pode afetar rapidamente o comércio internacional.

O que muda para a suinocultura brasileira

O principal ganho está na possibilidade de aumentar o valor obtido com produtos que já fazem parte do processamento dos animais.

O novo protocolo não cria uma nova matéria-prima. Ele melhora a destinação comercial de itens que já são produzidos.

Com um mercado estimado em bilhões de dólares e forte demanda por miúdos, a China pode se tornar um destino ainda mais importante para a cadeia suinícola brasileira.

A expectativa agora se concentra no início efetivo dos embarques e no comportamento dos preços pagos por esses produtos.

Perguntas frequentes

O que o novo protocolo autoriza?

Ele amplia a autorização para exportação de miúdos internos de suínos brasileiros para a China, incluindo fígado, coração e esôfago.

O Brasil já vendia miúdos suínos para a China?

Sim. O país já tinha acesso para determinados miúdos externos, como orelhas, rabos e focinhos.

Qual é o tamanho do mercado chinês de miúdos suínos?

Segundo os dados citados pelo Ministério da Agricultura, as importações chinesas movimentam aproximadamente US$ 2,5 bilhões por ano.

Quanto o Brasil pode exportar?

A ABPA estima potencial superior a 100 mil toneladas anuais.

Qual pode ser o ganho de receita?

A projeção da entidade aponta para um incremento superior a US$ 100 milhões.

Quantas plantas estão autorizadas?

As informações divulgadas apontam 16 plantas, sendo sete em Santa Catarina, oito no Rio Grande do Sul e uma em Mato Grosso.

Fontes

  • Informações atribuídas ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
  • Estimativas atribuídas à Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

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