Pular para o conteúdo
Glossário

O que é Brachiaria

Brachiaria, hoje classificada botanicamente no gênero Urochloa mas ainda conhecida no campo como braquiária, é um grupo de gramíneas forrageiras de origem africana que se tornou a base das pastagens tropicais brasileiras. Espécies como Urochloa brizantha, U. decumbens, U. humidicola e U. ruziziensis cobrem a maior parte das áreas de pasto do Centro-Oeste, do Norte e do Sudeste, sustentando a pecuária de corte e de leite.

Como funciona

As braquiárias são plantas perenes de metabolismo C4, adaptadas ao calor e a solos ácidos e de baixa fertilidade, condições comuns no Cerrado. Crescem vigorosamente no período chuvoso e reduzem o crescimento na seca, mantendo-se vivas e rebrotando com as chuvas seguintes. Cada espécie tem particularidades: a decumbens tolera solos mais pobres, a humidicola suporta encharcamento, e a brizantha, com cultivares como Marandu, Xaraés, Piatã e Paiaguás, oferece maior produção e qualidade.

O manejo do pastejo, com altura de entrada e saída dos animais e períodos de descanso, define a produtividade e a persistência do pasto. Sob pastejo excessivo e sem reposição de nutrientes, a braquiária perde vigor e a área entra em degradação.

Por que importa para o produtor

A introdução das braquiárias a partir das décadas de 1970 e 1980 viabilizou a ocupação pecuária do Cerrado, substituindo pastagens nativas de baixa capacidade de suporte. A cultivar Marandu, lançada pela Embrapa, tornou-se uma das forrageiras mais plantadas do mundo. O custo relativamente baixo de sementes e a rusticidade explicam a adoção massiva.

A dependência de poucas cultivares, porém, cria risco: a cigarrinha-das-pastagens e a síndrome da morte do capim-marandu em solos mal drenados causaram perdas extensas, o que levou ao desenvolvimento de novas cultivares mais resistentes. Diversificar as espécies dentro da fazenda reduz esse risco.

Na prática

Além do pastejo, as braquiárias são amplamente usadas como plantas de cobertura no sistema de plantio direto e na integração lavoura-pecuária. A U. ruziziensis semeada em consórcio com o milho safrinha no Mato Grosso e em Goiás forma palhada abundante para a soja seguinte e pode ser pastejada na entressafra. Depois, é dessecada antes do plantio.

A Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande, é o principal centro de pesquisa em forrageiras tropicais do país, e as cultivares BRS Piatã, BRS Paiaguás e BRS Ipyporã são exemplos de materiais lançados para diversificar as pastagens.

Termos relacionados