Pastagem é a área coberta por plantas forrageiras, principalmente gramíneas e leguminosas, destinada à alimentação de animais que colhem o próprio alimento diretamente no campo. É a base da pecuária brasileira de corte e de leite, já que a maior parte do rebanho nacional é criada a pasto durante boa parte da vida. A pastagem pode ser nativa, formada pela vegetação natural da região, ou cultivada, quando o produtor implanta espécies selecionadas para maior produção de forragem.
Como funciona
A pastagem funciona como uma lavoura permanente cujo produto é a folha, e não o grão. As plantas crescem, os animais consomem parte da massa verde e o restante rebrota. O equilíbrio entre consumo e rebrota é o coração do manejo. Quando os animais comem demais e por tempo prolongado, a planta perde reservas, o solo fica exposto e as invasoras avançam; quando comem de menos, a forragem envelhece e perde valor nutritivo.
No Brasil, as espécies mais usadas nas pastagens cultivadas são as braquiárias (hoje classificadas no gênero Urochloa), como a marandu e a decumbens, e os capins do gênero Panicum, como mombaça e tanzânia, além de gramíneas do gênero Cynodon, como o tifton, mais comuns em sistemas intensivos. As leguminosas forrageiras, como estilosantes e amendoim forrageiro, entram para fixar nitrogênio e melhorar a proteína da dieta. A escolha depende de clima, fertilidade do solo, drenagem e categoria animal.
Por que importa para o produtor
O pasto é o alimento mais barato que o pecuarista pode oferecer ao rebanho. Cada quilo de forragem bem aproveitado reduz a dependência de ração, silagem e suplementos. A qualidade e a quantidade de forragem determinam a taxa de lotação, ou seja, quantos animais a área sustenta, e o ganho de peso diário. Por isso, o manejo da pastagem define diretamente o custo de produção da arroba e do litro de leite.
Na prática
Um pecuarista no Cerrado goiano que adota pastejo rotacionado divide a área em piquetes e controla a entrada e a saída dos animais pela altura do capim, deixando cada piquete descansar até rebrotar. Na época seca, entre maio e setembro, a forragem cresce pouco e o produtor recorre a suplementação, diferimento de pasto (reservar piquetes para uso no inverno) ou silagem. A Embrapa desenvolve cultivares de forrageiras adaptadas a solos ácidos e à cigarrinha-das-pastagens, e mantém recomendações de adubação e calagem para cada região. Correção do solo, adubação de manutenção e controle de invasoras são as principais ferramentas para manter a pastagem produtiva ao longo dos anos.