Ovinocultura é a criação de ovelhas e carneiros para produção de carne, lã, leite e pele. No Brasil, a atividade tem duas faces distintas: a criação tradicional no Semiárido nordestino, com raças rústicas voltadas à carne e à pele, e a produção comercial em fazendas do Sul e do Centro-Oeste, com raças especializadas e crescente foco na carne de cordeiro.
Como funciona
O sistema produtivo gira em torno do manejo reprodutivo, alimentar e sanitário do rebanho. As ovelhas têm gestação de cerca de cinco meses e podem ter mais de um parto por ano em sistemas intensivos, com frequência de gêmeos em raças prolíficas. Os cordeiros são desmamados e terminados a pasto ou em confinamento até o peso de abate, geralmente ainda jovens, para atender à preferência do mercado por carne macia.
A alimentação se baseia em pastagens, com suplementação de concentrados e volumosos conservados em períodos de escassez. O controle de verminoses é o maior desafio sanitário, já que os ovinos são muito suscetíveis a parasitas gastrintestinais e a resistência aos vermífugos é frequente; métodos como o Famacha, que avalia a anemia pela cor da mucosa ocular, ajudam a tratar apenas os animais que precisam. Raças de lã exigem tosquia anual; raças deslanadas dispensam essa operação.
Por que importa para o produtor
Ovinos exigem menos capital e área que bovinos, têm ciclo curto e se adaptam a regiões secas e a propriedades pequenas, o que os torna uma alternativa de renda para a agricultura familiar e para a diversificação de fazendas de gado ou grãos. O mercado de carne de cordeiro cresce nos grandes centros, mas a oferta doméstica é irregular e parte do consumo é atendida por importações do Uruguai.
- Baixo investimento inicial e retorno rápido.
- Aproveitamento de áreas marginais e integração com outras atividades.
- Informalidade e falta de escala limitam o acesso a frigoríficos.
Na prática
Bahia, Pernambuco, Ceará e Piauí concentram os maiores rebanhos, com raças deslanadas como Santa Inês, Morada Nova e Dorper, adaptadas ao calor e à caatinga. No Rio Grande do Sul, a ovinocultura tradicional de lã, com raças como Corriedale e Merino, migrou em grande parte para a carne, com cruzamentos com Texel e Ile de France. A Embrapa Caprinos e Ovinos, em Sobral, no Ceará, desenvolve pesquisas em genética, manejo e sanidade para o Semiárido. Programas estaduais e cooperativas buscam organizar a comercialização em lotes padronizados, e o cordeiro de raças como Dorper e Santa Inês ganhou espaço em restaurantes e redes de varejo.
Termos relacionados
- Caprinocultura
- Verminose
- Método Famacha
- Pequenos ruminantes
- Pastagem