Recuperação de pastagens degradadas é o conjunto de práticas usadas para devolver a capacidade produtiva a áreas de pasto que perderam vigor, cobertura e valor nutritivo ao longo dos anos. A degradação é um processo gradual, em que a forrageira deixa de responder ao manejo, o solo fica exposto e as plantas invasoras ocupam o espaço. Reverter esse quadro é uma das principais oportunidades de ganho de produção da pecuária brasileira sem abertura de novas áreas.
Como funciona
A degradação começa quase sempre por um desequilíbrio entre o que a pastagem produz e o que os animais consomem. Lotação acima da capacidade, ausência de reposição de nutrientes e falta de descanso enfraquecem a planta, que produz menos folhas e raízes. Com o tempo aparecem sinais visíveis: capim ralo e amarelado, solo descoberto, cupinzeiros, erosão em sulcos e invasoras como o capim-amargoso e arbustos. Em estágio avançado, a área passa a sustentar poucos animais e o ganho de peso cai.
A recuperação pode seguir dois caminhos. A recuperação direta mantém a forrageira existente e corrige as causas: análise de solo, calagem, adubação com fósforo, potássio e nitrogênio, controle de invasoras e ajuste da lotação com períodos de descanso. É indicada quando ainda há plantas suficientes para rebrotar. A renovação substitui a pastagem: a área é dessecada ou preparada, corrigida e semeada com nova forrageira, muitas vezes precedida de uma ou mais safras de lavoura, como soja ou milho, que pagam parte do investimento e deixam o solo corrigido. Esse último modelo é a base da integração lavoura-pecuária.
Por que importa para o produtor
Uma pastagem degradada representa capital parado. Ao recuperá-la, o pecuarista pode dobrar ou triplicar a taxa de lotação na mesma área, reduzir o tempo até o abate e diminuir a necessidade de suplementação. O custo inicial, com corretivos, fertilizantes, sementes e máquinas, é o principal obstáculo, e por isso a atividade conta com linhas de crédito de investimento específicas, dentro do Plano Safra, voltadas a práticas de baixa emissão de carbono.
Na prática
No Cerrado de Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, é comum o pecuarista arrendar a área degradada a um agricultor por algumas safras de soja, recebendo de volta um pasto novo sobre solo corrigido. A Embrapa desenvolveu protocolos de recuperação e de integração lavoura-pecuária-floresta adaptados a cada bioma, e o governo federal considera a recuperação de pastagens uma das prioridades de política agrícola e climática. O diagnóstico do nível de degradação por imagens de satélite tem ajudado a mapear as áreas com maior potencial de resposta.