Taxa de lotação é a relação entre o número de animais e a área de pastagem que eles ocupam em determinado período. Na pecuária brasileira, ela costuma ser expressa em unidades animal por hectare (UA/ha) ou em cabeças por hectare, e serve para indicar se o pasto está sendo usado com folga, no ponto certo ou acima do que consegue suportar.
Como funciona
O cálculo parte de dois números: quantos animais estão no pasto e quantos hectares eles têm à disposição. Como bezerros, novilhas e vacas adultas consomem quantidades diferentes de forragem, o rebanho é convertido em unidades animal, uma medida padronizada pelo peso vivo. Assim, uma área com 20 animais leves pode ter a mesma taxa de lotação de outra com 12 animais pesados.
A taxa de lotação é diferente da capacidade de suporte. A primeira descreve o que está acontecendo no pasto agora; a segunda indica o máximo que a área consegue sustentar sem se degradar. Quando a lotação supera a capacidade de suporte por muito tempo, a forragem não se recupera, aparecem falhas no dossel e o solo fica exposto.
Ela também varia ao longo do ano. Nas águas, o capim cresce rápido e a área comporta mais animais; na seca, o crescimento cai e a lotação precisa ser reduzida ou compensada com suplementação.
Por que importa para o produtor
A lotação é uma das variáveis que mais pesam na rentabilidade da pecuária de corte e de leite. Uma taxa baixa demais significa pasto sobrando, área ociosa e custo fixo diluído em poucos animais. Uma taxa alta demais reduz o ganho de peso individual, acelera a degradação da pastagem e obriga o produtor a gastar com recuperação de área ou compra de volumoso.
Ajustar a lotação é também o caminho mais direto para intensificar a produção sem abrir novas áreas. Pastagens bem manejadas, com adubação e divisão em piquetes, sustentam mais animais por hectare e liberam terra para outras atividades, como lavoura em sistemas integrados.
Na prática
Em grande parte do Brasil Central, pastagens extensivas de braquiária sem adubação trabalham com lotações baixas, muitas vezes abaixo de uma unidade animal por hectare. Já sistemas intensivos com capins como Mombaça ou Tifton, irrigação e pastejo rotacionado alcançam lotações várias vezes maiores na época das águas.
- A Embrapa e as universidades publicam recomendações de lotação por tipo de capim, fertilidade do solo e região.
- Na integração lavoura-pecuária, a lotação é planejada em função da forragem que sobra depois da colheita de grãos.
- Em confinamentos, o conceito muda de figura: em vez de área de pasto, fala-se em metros quadrados por animal no curral.
Muitos pecuaristas monitoram a altura do capim na entrada e na saída dos piquetes para decidir se a lotação deve subir ou descer, uma técnica simples que evita tanto o desperdício quanto o superpastejo.
Termos relacionados
- Unidade animal (UA)
- Capacidade de suporte
- Pastejo rotacionado
- Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF)
- Degradação de pastagens