Carbono neutro é a condição em que as emissões de gases de efeito estufa de uma atividade, produto ou propriedade são compensadas por remoções equivalentes de carbono da atmosfera, resultando em saldo líquido igual a zero. No agronegócio, o conceito aparece em programas de carne carbono neutro, em certificações de fazendas e em metas de empresas e cooperativas. O balanço considera emissões de metano, óxido nitroso e dióxido de carbono.
Como funciona
O primeiro passo é medir as emissões. Na pecuária, a principal fonte é o metano da fermentação entérica dos bovinos; nas lavouras, destacam-se o óxido nitroso dos fertilizantes nitrogenados e o dióxido de carbono do combustível das máquinas e da decomposição de matéria orgânica. O segundo passo é quantificar as remoções, que ocorrem pelo acúmulo de carbono no solo, em pastagens bem manejadas, e na madeira de árvores plantadas ou de vegetação nativa em recuperação.
Quando as remoções igualam ou superam as emissões, o sistema é neutro ou positivo. A medição segue protocolos científicos e pode ser auditada por certificadoras. Alternativamente, emissões residuais podem ser compensadas pela compra de créditos de carbono gerados em projetos de terceiros.
Por que importa para o produtor
Compradores internacionais de carne, soja e café passaram a exigir informações sobre a pegada de carbono dos produtos, e algumas cadeias oferecem prêmios de preço para produção certificada. Práticas que levam à neutralidade, como recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto e uso de bioinsumos, geralmente também elevam a produtividade, de modo que o ganho ambiental acompanha o ganho econômico.
O Plano ABC+, do governo federal, oferece crédito com condições diferenciadas para tecnologias de baixa emissão de carbono na agricultura.
Na prática
A Embrapa desenvolveu o conceito de Carne Carbono Neutro (CCN), em que a presença de árvores, como eucalipto, no sistema silvipastoril compensa o metano emitido pelos bovinos. A marca é licenciada a frigoríficos que auditam as fazendas fornecedoras. Existe também a Carne Baixo Carbono (CBC), aplicada a sistemas sem o componente florestal, mas com pastagens recuperadas.
Em Mato Grosso do Sul, fazendas com integração lavoura-pecuária-floresta são exemplos consolidados. Na cafeicultura, cooperativas de Minas Gerais e do Espírito Santo mapeiam a pegada de carbono dos associados, e no setor sucroenergético o RenovaBio premia usinas com menor intensidade de emissões.
Termos relacionados
- Crédito de carbono
- Integração lavoura-pecuária-floresta
- Plano ABC+
- Gases de efeito estufa
- Sequestro de carbono