Estoque de passagem é a quantidade de um produto agrícola que sobra ao fim de uma safra comercial e é transferida para o início da safra seguinte. Também chamado de estoque final ou estoque de transição, é um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado, porque mostra quanto o país ou o mundo tem em reserva antes que a nova colheita entre em circulação.
Como funciona
O cálculo parte de um balanço simples: estoque inicial mais produção mais importação, menos consumo interno e exportação. O que resta é o estoque de passagem. Órgãos como a Conab, no Brasil, e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), no mercado internacional, publicam balanços mensais de oferta e demanda com esse dado para as principais culturas.
O ano-safra não coincide com o ano civil. Para a soja brasileira, por exemplo, ele é contado de forma a começar logo após a colheita, o que faz o estoque de passagem representar exatamente o momento de menor disponibilidade. Analistas costumam expressar esse número também como relação estoque/consumo, ou seja, quantos dias ou meses de demanda a reserva cobriria.
Um estoque de passagem apertado sinaliza pouca margem para frustrações de safra e tende a sustentar os preços. Um estoque folgado indica oferta abundante e pressiona os preços para baixo.
Por que importa para o produtor
O número ajuda a entender a direção dos preços na comercialização. Se os estoques estão baixos e a safra seguinte enfrenta seca, o mercado reage com rapidez, e quem ainda tem produto armazenado pode aproveitar. Se os estoques estão altos, uma grande colheita pode derrubar as cotações, e travar preços antecipadamente pode ser uma alternativa.
Também influencia decisões sobre o que plantar. Um estoque de passagem elevado em milho, por exemplo, pode desestimular a área na safra seguinte, enquanto estoques baixos em algodão ou trigo podem atrair produtores.
Na prática
A Conab divulga, a cada levantamento mensal da safra de grãos, o quadro de oferta e demanda com o estoque de passagem estimado para soja, milho, arroz, feijão, trigo e algodão. O mercado compara esses números com os do mês anterior e com os relatórios do USDA para ajustar expectativas.
No milho, o estoque de passagem brasileiro é muito sensível ao tamanho da segunda safra e ao ritmo das exportações no segundo semestre. Na soja, como a maior parte é exportada logo após a colheita, o estoque ao fim do ciclo costuma ser proporcionalmente pequeno. Indicadores de preço do CEPEA e as cotações na Bolsa de Chicago refletem, em grande parte, a leitura que o mercado faz desses estoques.
Termos relacionados
- Entressafra
- Ano-safra
- Relação estoque/consumo
- Conab
- Comercialização antecipada