Estresse hídrico é a condição em que a planta não consegue absorver água suficiente para atender às suas necessidades fisiológicas, seja por falta de umidade no solo, por excesso de demanda evaporativa da atmosfera ou por dano ao sistema radicular. O termo também se aplica a animais e a bacias hidrográficas, mas no vocabulário agrícola designa principalmente o déficit de água nas culturas, com efeitos diretos sobre a produtividade.
Como funciona
A planta absorve água pelas raízes e a perde pelas folhas por transpiração, processo ligado à abertura dos estômatos, poros pelos quais entra o gás carbônico da fotossíntese. Quando a água do solo se torna escassa, a planta fecha os estômatos para reduzir a perda, mas isso também interrompe a entrada de gás carbônico e, portanto, a produção de açúcares. O crescimento desacelera, as folhas murcham e, em situações prolongadas, a planta aborta flores e frutos e pode morrer.
O estresse pode ser leve e reversível, com recuperação após a chuva ou a irrigação, ou severo e permanente, quando atinge fases críticas como o florescimento. Além da chuva, fatores como temperatura elevada, baixa umidade do ar, vento e solo compactado ou raso agravam o problema. Mesmo com água no solo, dias muito quentes e secos podem gerar estresse temporário nas horas mais quentes.
Por que importa para o produtor
O estresse hídrico é a principal causa de perdas de produtividade nas lavouras de sequeiro brasileiras. Identificar precocemente os sinais, como enrolamento de folhas em milho e murcha em soja nas horas mais quentes, permite decidir sobre irrigação suplementar onde ela existe. Em pastagens, o estresse reduz a oferta de forragem e exige ajuste da lotação ou suplementação.
Práticas que aumentam a capacidade do solo de armazenar água e das raízes de explorá-lo, como o plantio direto, a correção do perfil com gesso e calcário, o rompimento de camadas compactadas e o uso de plantas de cobertura, reduzem a frequência e a intensidade do estresse. Cultivares tolerantes e o ajuste da época de semeadura ao zoneamento agrícola completam a estratégia.
Na prática
No Cerrado, os veranicos de janeiro e fevereiro provocam estresse hídrico na soja em fase reprodutiva, e o milho safrinha enfrenta déficit crescente à medida que as chuvas cessam em abril e maio. No Sul, estiagens associadas ao La Niña causaram estresse severo em soja e milho em safras recentes. Em cafezais, o estresse durante a floração e o enchimento dos grãos reduz a produção e o tamanho dos frutos.
A Embrapa desenvolve cultivares com maior tolerância à seca e monitora o balanço hídrico por meio de modelos que alimentam o zoneamento agrícola de risco climático do MAPA, referência para o seguro rural e o crédito.