Geada é o fenômeno meteorológico em que a temperatura próxima ao solo cai a zero grau ou menos, provocando a formação de gelo sobre as plantas e superfícies ou, mesmo sem gelo visível, o congelamento da água dentro dos tecidos vegetais. No Brasil, ocorre principalmente no Sul e em partes do Sudeste e do Centro-Oeste entre maio e agosto, e é uma das maiores ameaças a culturas como café, milho safrinha, trigo, hortaliças e pastagens.
Como funciona
A geada de radiação, a mais comum, forma-se em noites de céu limpo, sem vento e com ar seco, após a passagem de uma massa de ar polar. Nessas condições, o solo e as plantas perdem calor rapidamente para a atmosfera e resfriam mais que o ar ao redor. O ar frio, mais denso, escorre para as partes baixas do terreno, o que explica por que baixadas e fundos de vale geiam mais que encostas e topos.
Quando a água nas células vegetais congela, os cristais rompem as membranas e a planta morre ou perde as partes atingidas. A geada branca, com gelo visível, ocorre quando há umidade suficiente; a geada negra, mais danosa, ocorre com ar muito seco, sem formação de gelo, mas com queima dos tecidos.
Por que importa para o produtor
Em cafezais, a geada pode queimar folhas e ramos e, em casos severos, matar a planta até o tronco, exigindo poda drástica e perda de duas ou mais safras. No milho safrinha do Paraná e do Mato Grosso do Sul, uma geada antes da maturação reduz o enchimento de grãos. Trigo em fase de florescimento é muito sensível. Pastagens tropicais perdem qualidade e volume, obrigando a suplementação do gado.
O mercado de café reage fortemente a previsões de frio no Sul de Minas e no Paraná, com altas de preço mesmo antes de os danos serem confirmados. O zoneamento agrícola de risco climático indica as épocas de plantio com menor probabilidade de geada por município.
Na prática
A geada de julho de 1975 no Paraná destruiu grande parte dos cafezais do estado e deslocou a cafeicultura para Minas Gerais, e a geada de 2021 atingiu lavouras de café, milho e cana em São Paulo, Minas e Paraná. Nas regiões cafeeiras, produtores evitam plantar em baixadas, usam quebra-ventos e, em lavouras jovens, cobrem as mudas ou fazem o chegamento de terra para proteger os troncos.
Em hortaliças e fruticultura, irrigação por aspersão durante a madrugada, nebulização e cobertura com mantas são técnicas de proteção. O Inmet e institutos estaduais, como o Simepar e o IAC, emitem alertas de geada que orientam as decisões nas propriedades.
Termos relacionados
- Massa de ar polar
- Café arábica
- Zoneamento agrícola de risco climático
- Safrinha
- Quebra-vento