Nascente é o ponto onde a água subterrânea aflora naturalmente à superfície, dando origem a um curso d'água. Também chamada de olho d'água, mina ou fonte, ela pode ser perene, quando corre o ano inteiro, ou intermitente, quando seca em parte do ano. Nas propriedades rurais, as nascentes são protegidas por lei como áreas de preservação permanente e representam a fonte de água para consumo humano, dessedentação de animais e pequenas irrigações.
Como funciona
A água da chuva infiltra no solo, percola até camadas saturadas, os aquíferos, e volta à superfície onde o relevo ou a geologia forçam sua saída. A quantidade e a regularidade da água que a nascente fornece dependem da capacidade de infiltração da área de recarga, ou seja, do terreno ao redor e acima dela. Solos cobertos por vegetação e sem compactação absorvem mais chuva e alimentam melhor o aquífero. Já solos expostos, pisoteados pelo gado ou impermeabilizados escoam a água superficialmente, o que reduz a recarga e provoca assoreamento.
O Código Florestal define um raio mínimo de vegetação ao redor de nascentes e olhos d'água perenes que deve ser mantido ou recuperado como área de preservação permanente, independentemente do tamanho da propriedade.
Por que importa para o produtor
A nascente é muitas vezes a única fonte de água da propriedade, e sua degradação afeta diretamente a criação de animais, a casa e a lavoura. Proteger a área de recarga garante água na seca, evita assoreamento de açudes e cursos d'água e mantém a propriedade regular perante o Cadastro Ambiental Rural, condição para o crédito. Nascentes bem conservadas também valorizam o imóvel e permitem participar de programas de pagamento por serviços ambientais.
Na prática
Em Minas Gerais e no Espírito Santo, programas de cercamento e reflorestamento de nascentes em bacias leiteiras e cafeeiras usam mudas nativas e cercas para afastar o gado. Em Extrema (MG), o programa Conservador das Águas remunera produtores que protegem nascentes e matas ciliares que abastecem o sistema Cantareira. No Cerrado, a conservação das nascentes em chapadas é essencial para bacias como as do São Francisco e do Tocantins. A Embrapa e a Emater orientam técnicas de cercamento, construção de barraginhas e plantio de espécies nativas na recuperação de áreas de recarga.
- A área de recarga determina a vazão e a perenidade.
- A vegetação ao redor é área de preservação permanente.
- Cercamento e reflorestamento são as práticas básicas de proteção.
Termos relacionados
- Área de preservação permanente (APP)
- Mata ciliar
- Bacia hidrográfica
- Pagamento por serviços ambientais
- Código Florestal