Produtividade agrícola é a relação entre a quantidade produzida e os recursos empregados para obtê-la. No uso mais comum do campo, refere-se à produção por unidade de área, expressa em sacas, quilos ou toneladas por hectare. O conceito também pode ser aplicado a outros fatores, como produção por animal, por trabalhador ou por litro de água, mas é a produtividade por área que orienta a maior parte das decisões e comparações no agronegócio brasileiro.
Como funciona
A produtividade é o resultado da interação entre genética, ambiente e manejo. A genética define o potencial da cultivar ou da raça; o ambiente, com clima, solo e disponibilidade de água, determina quanto desse potencial pode ser expresso; e o manejo, que inclui adubação, controle de pragas, época de plantio e população de plantas, aproxima ou afasta o resultado real do potencial. Um mesmo híbrido de milho pode render o dobro em um talhão bem conduzido do que em outro com solo ácido e plantio fora de época.
É importante distinguir produtividade de produção. A produção é o volume total colhido, que cresce quando se amplia a área; a produtividade mede a eficiência com que cada hectare é usado. Um estado pode produzir mais soja porque plantou mais e não porque colheu mais por hectare. Os levantamentos da Conab e do IBGE apresentam as duas informações separadamente justamente para que se possa avaliar o que explica a variação de uma safra para outra.
Por que importa para o produtor
Com a terra sendo um recurso limitado e caro, a produtividade é a principal alavanca de rentabilidade. Quando os custos fixos por hectare são os mesmos, cada saca adicional colhida dilui o custo de produção e amplia a margem. Ganhos de produtividade também reduzem a pressão por abertura de novas áreas, argumento central nas discussões sobre sustentabilidade do agro. Por outro lado, buscar produtividade máxima nem sempre é o objetivo mais lucrativo, pois os últimos incrementos costumam exigir insumos cujo custo supera o retorno.
Na prática
Na soja, a produtividade nacional média avançou ao longo das últimas décadas com cultivares adaptadas ao Cerrado, inoculação com bactérias fixadoras de nitrogênio e plantio direto. No milho, a diferença entre a média de Mato Grosso e a de regiões de agricultura familiar do Nordeste mostra como tecnologia e clima pesam. A Embrapa realiza pesquisas de potencial produtivo, e concursos de produtividade organizados por entidades do setor registram lavouras que superam em muito a média nacional, servindo como referência do que é possível com manejo intensivo.