Queimadas são a ocorrência de fogo em áreas de vegetação, sejam pastagens, lavouras, restos culturais ou vegetação nativa. O termo abrange tanto o uso intencional do fogo como ferramenta de manejo quanto os incêndios acidentais ou criminosos que escapam ao controle. No meio rural brasileiro, o assunto envolve tradição, legislação ambiental, prejuízos econômicos e monitoramento por satélite.
Como funciona
O fogo foi por muito tempo uma prática comum para limpar áreas, renovar pastagens e facilitar a colheita manual da cana-de-açúcar. A queima elimina a palhada seca, controla algumas pragas e libera nutrientes de forma rápida. O problema é que também destrói a matéria orgânica do solo, mata a fauna e os microrganismos, expõe a terra à erosão e lança fumaça e gases que afetam a saúde e o clima. Em período seco, com vento e baixa umidade, o fogo se espalha por quilômetros e atinge cercas, benfeitorias, plantios, reservas legais e áreas de preservação.
A legislação atual permite a queima controlada apenas com autorização prévia do órgão ambiental competente, em situações específicas, e exige medidas de contenção. Fora dessas hipóteses, provocar fogo é infração ambiental sujeita a multa e responsabilização, inclusive por danos a terceiros. Os focos de calor são detectados por satélites e divulgados diariamente pelo Inpe, o que permite acompanhar a evolução das queimadas por bioma e por município.
Por que importa para o produtor
Para quem cria gado, um incêndio na estação seca significa perder a forragem que sustentaria o rebanho até as chuvas, além de cercas, cochos e, em casos graves, animais. Para o agricultor, o fogo pode consumir palhada de plantio direto, lavouras em pé e estruturas de armazenagem. Há ainda o risco jurídico: mesmo quando o fogo vem de fora, o produtor precisa demonstrar que adotou medidas de prevenção. Em mercados exigentes, a associação entre queimadas e desmatamento também afeta a reputação da produção brasileira.
Na prática
A queima da cana antes da colheita, tradicional em São Paulo, foi progressivamente substituída pela colheita mecanizada de cana crua, com acordos entre o setor e o governo estadual. No Cerrado, na Amazônia e no Pantanal, o período crítico vai de julho a outubro, quando a vegetação está seca. As principais medidas preventivas são os aceiros, faixas de terra sem vegetação ao redor das áreas a proteger, as brigadas de incêndio organizadas por fazendas e sindicatos rurais, a manutenção de equipamentos como tanques e abafadores e a vigilância nos dias de umidade muito baixa. Embrapa e órgãos estaduais de meio ambiente divulgam orientações de manejo do fogo e alternativas à queima para renovação de pastagens.
Termos relacionados
- Aceiro
- Código Florestal
- Pastagem
- Cana-de-açúcar
- Desmatamento