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Glossário

O que é WASDE (relatório do USDA)

WASDE, sigla de World Agricultural Supply and Demand Estimates, é o relatório mensal de oferta e demanda agrícola publicado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Ele reúne estimativas de área, produção, consumo, comércio e estoques das principais commodities nos Estados Unidos e no mundo, e é um dos documentos mais acompanhados pelo mercado de grãos, inclusive no Brasil.

Como funciona

O relatório é elaborado por um comitê de economistas do USDA a partir de dados de agências do próprio departamento, de levantamentos de campo, de imagens de satélite, de estatísticas oficiais de outros países e de informações de adidos agrícolas. Ele é divulgado em data e horário previamente anunciados, uma vez por mês, e cobre milho, soja, trigo, arroz, algodão, açúcar, carnes, leite e oleaginosas.

Para cada produto, o WASDE apresenta um balanço: estoque inicial, produção, importações, consumo doméstico, exportações e estoque final. A relação entre estoque final e consumo, chamada de relação estoque/uso, é o indicador mais observado, porque resume o quanto o mercado está folgado ou apertado.

Além dos números dos Estados Unidos, o relatório traz estimativas para os grandes produtores e importadores, como Brasil, Argentina, China, União Europeia e Rússia, e as revisa mês a mês conforme o andamento das safras.

Por que importa para o produtor

Os preços de referência da soja, do milho e do trigo são formados na Bolsa de Chicago, e o WASDE é um dos principais gatilhos de movimento dessas cotações. Uma revisão inesperada na produção norte-americana ou nos estoques mundiais pode mudar o preço no mesmo dia, e esse movimento chega ao produtor brasileiro por meio dos prêmios de exportação e das cotações internas.

Acompanhar o relatório ajuda a entender o cenário em que a safra brasileira será vendida, a decidir o momento de fixar preços e a interpretar as notícias de mercado. Também é uma fonte de comparação para as estimativas nacionais divulgadas pela Conab.

Na prática

  • Os relatórios de maio trazem as primeiras projeções para a safra seguinte dos Estados Unidos, e os de agosto a outubro incorporam levantamentos de campo durante o enchimento de grãos.
  • As estimativas do USDA para a safra brasileira de soja e milho às vezes divergem das da Conab, e a diferença é tema recorrente nas análises de mercado.
  • Tradings, cooperativas e consultorias no Brasil publicam comentários sobre o WASDE logo após a divulgação, comparando os números com as expectativas dos analistas.
  • Em anos de seca no Meio-Oeste americano, o corte da produção de milho no WASDE costuma elevar as cotações e melhorar a competitividade da exportação brasileira.

O relatório é público e gratuito, disponível no site do USDA, e sua leitura exige atenção às notas de rodapé, que explicam mudanças de metodologia e de ano-safra.

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