Xanthomonas é um gênero de bactérias que causa doenças em muitas plantas cultivadas, e o cancro cítrico é a mais conhecida delas no Brasil. Provocado por Xanthomonas citri subsp. citri, o cancro ataca folhas, ramos e frutos de laranjeiras, limoeiros e outras cítricas, formando lesões salientes de aspecto corticoso, com halo amarelo, que levam à queda de folhas e frutos e depreciam a produção.
Como funciona
A bactéria penetra na planta por aberturas naturais, como os estômatos, e por ferimentos. Uma vez dentro dos tecidos, multiplica-se e provoca a formação de lesões que, ao se romperem, liberam novas bactérias na superfície. A disseminação a curta distância é feita pela água da chuva com vento, que espalha as gotas contaminadas pelo pomar; a longa distância ocorre pelo transporte de mudas, frutos, roupas, veículos e ferramentas contaminadas.
Chuvas fortes com ventania, tecidos jovens em crescimento e ferimentos causados por insetos, como a larva-minadora-dos-citros, favorecem a doença. Outras espécies e patovares de Xanthomonas causam doenças importantes em diferentes culturas, como a mancha-bacteriana do tomateiro e do pimentão, o crestamento bacteriano do feijoeiro e a mancha-angular do algodoeiro.
Por que importa para o produtor
O cancro cítrico é uma doença regulamentada, o que significa que sua presença tem consequências legais além das agronômicas. Durante décadas, a política brasileira foi de erradicação, com a eliminação obrigatória de plantas doentes e vizinhas. Com a ampla disseminação em São Paulo, a legislação evoluiu para um modelo de manejo, que exige do produtor a adoção de práticas de mitigação de risco em vez da eliminação das plantas.
Além das perdas diretas de produção, a doença restringe o trânsito de frutos: pomares em áreas com cancro precisam seguir regras para vender frutos in natura para regiões livres ou para exportação, o que envolve inspeção, tratamento pós-colheita e certificação.
Na prática
- O cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo Mineiro, o maior produtor de laranja do país, convive com o cancro cítrico sob o sistema de mitigação de risco definido pelo MAPA e pela Coordenadoria de Defesa Agropecuária paulista.
- As principais medidas de manejo são o uso de mudas certificadas de viveiros telados, pulverizações com produtos à base de cobre nos fluxos de brotação, quebra-ventos, controle da larva-minadora e desinfecção de equipamentos e pessoas que entram no pomar.
- O Fundecitrus, entidade mantida pelos citricultores, faz levantamentos periódicos da incidência do cancro e do greening nos pomares paulistas.
- Estados sem a doença ou com ocorrência restrita mantêm barreiras e exigências para a entrada de material cítrico.
Cultivares como a laranja Pera e o limão Siciliano estão entre as mais suscetíveis, o que orienta a intensidade das medidas de proteção em cada talhão.
Termos relacionados
- Greening (HLB)
- Defesa agropecuária
- Praga quarentenária
- Muda certificada
- Fitopatologia