Xerófitas são plantas adaptadas a ambientes secos, capazes de sobreviver e se reproduzir com pouca disponibilidade de água. Apresentam estratégias anatômicas e fisiológicas para reduzir a perda de água e armazená-la, como folhas pequenas ou transformadas em espinhos, cutícula espessa, caules suculentos e raízes profundas ou muito ramificadas. No Brasil, são típicas da Caatinga e ocorrem também no Cerrado e em áreas rochosas.
Como funciona
A adaptação à seca ocorre por diferentes caminhos. Algumas espécies evitam a seca perdendo as folhas no período sem chuva, caso da maior parte das árvores da Caatinga, que rebrotam nas primeiras chuvas. Outras toleram a seca armazenando água em tecidos suculentos, como cactáceas e bromélias. Há ainda as que utilizam o metabolismo ácido das crassuláceas, abrindo os estômatos à noite para reduzir a transpiração.
Além dessas estratégias, muitas xerófitas possuem raízes que exploram grandes volumes de solo ou alcançam camadas mais úmidas, pelos e ceras que refletem radiação e mecanismos de fechamento rápido dos estômatos. Essas características fazem com que o crescimento seja mais lento, mas a sobrevivência em condições extremas seja assegurada, com a planta retomando a atividade plena assim que a umidade retorna ao solo.
Por que importa para o produtor
No Semiárido, as xerófitas são a base da alimentação animal e de diversas cadeias produtivas. Palma forrageira, mandacaru, xiquexique, juazeiro e umbuzeiro alimentam rebanhos caprinos, ovinos e bovinos durante a estiagem, e o manejo racional da Caatinga permite explorar a vegetação nativa sem degradá-la. Espécies como o umbuzeiro e a carnaúba geram renda com frutos e cera.
O estudo das xerófitas também orienta o melhoramento de culturas para tolerância à seca e a escolha de plantas de cobertura e forrageiras em regiões de veranico frequente.
Na prática
- A palma forrageira, cultivada em Pernambuco, na Paraíba, em Alagoas e na Bahia, é o principal suporte alimentar do rebanho no período seco, com cultivares resistentes à cochonilha-do-carmim selecionadas pelo IPA e pela Embrapa.
- A Embrapa Semiárido, em Petrolina, pesquisa o manejo da Caatinga, o cultivo do umbuzeiro e sistemas agrossilvipastoris com espécies nativas.
- O sisal, planta xerófita cultivada na Bahia, sustenta a produção de fibra em uma das regiões mais secas do país.
- Estratégias de convivência com o Semiárido combinam o uso de xerófitas com cisternas, barragens subterrâneas e feno de espécies nativas.
Termos relacionados
- Caatinga
- Palma forrageira
- Semiárido
- Convivência com a seca
- Caprinocultura