Biodiversidade é a variedade de formas de vida existentes em um determinado ambiente, incluindo a diversidade de espécies, a diversidade genética dentro de cada espécie e a diversidade de ecossistemas. Na agricultura, o conceito se aplica tanto à natureza que cerca a propriedade, como matas, rios e polinizadores, quanto à diversidade de culturas, raças e variedades manejadas pelo produtor. O Brasil é considerado o país com maior biodiversidade do planeta.
Como funciona
Os sistemas agrícolas dependem de serviços prestados pela biodiversidade, ainda que muitas vezes de forma invisível. Insetos e outros animais polinizam culturas como café, maracujá, melão, maçã e canola. Inimigos naturais, como vespas, joaninhas e fungos, controlam pragas sem custo. Minhocas, fungos e bactérias decompõem restos vegetais, ciclam nutrientes e estruturam o solo. Vegetação nativa regula o ciclo da água e protege nascentes.
A diversidade genética das plantas cultivadas, mantida em bancos de germoplasma e em variedades crioulas de agricultores, é a matéria-prima do melhoramento: sem ela, não há como buscar resistência a novas doenças ou tolerância a mudanças do clima.
Por que importa para o produtor
Propriedades que mantêm áreas de vegetação nativa, cercas vivas e diversidade de cultivos tendem a sofrer menos com surtos de pragas e a depender menos de insumos externos. A presença de abelhas nativas e do entorno florestal aumenta a produtividade de cafezais e pomares. Solos biologicamente ativos exigem menos correções.
Do lado do mercado, certificações e exigências de compradores internacionais incluem critérios de proteção à biodiversidade, e a Reserva Legal e as APPs previstas no Código Florestal são a forma pela qual a lei brasileira garante essa proteção dentro das fazendas. Manter essas áreas em bom estado é, portanto, parte da gestão do negócio.
Na prática
A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, mantém um dos maiores bancos de germoplasma do mundo, com sementes de milhares de espécies. Programas de conservação de raças localmente adaptadas, como o gado Curraleiro Pé-Duro e o Pantaneiro, preservam genética resistente ao calor e a doenças.
Na fruticultura do Nordeste, produtores de melão instalam colmeias e mantêm faixas de vegetação para garantir polinização. No Cerrado, o consórcio de fragmentos nativos com lavouras favorece a presença de inimigos naturais de percevejos e lagartas. Sistemas agroflorestais e a integração lavoura-pecuária-floresta são apontados como formas de ampliar a diversidade dentro da área produtiva.
Termos relacionados
- Reserva Legal
- Polinização
- Controle biológico
- Sistema agroflorestal
- Germoplasma