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Glossário

O que é Biotecnologia agrícola

Biotecnologia agrícola é o uso de técnicas baseadas em organismos vivos, células ou moléculas biológicas para desenvolver plantas, animais e insumos com características de interesse para a agricultura. Inclui a engenharia genética que gera cultivares transgênicas, a edição gênica, a cultura de tecidos, os marcadores moleculares usados no melhoramento e a produção de bioinsumos como inoculantes e biodefensivos.

Como funciona

A ferramenta mais conhecida é a transgenia, em que um gene de outra espécie é inserido no genoma da planta para conferir uma característica nova, como tolerância a herbicida ou resistência a insetos. A edição gênica, com técnicas como CRISPR, altera genes que a própria planta já possui, sem introduzir DNA externo, e por isso tem regulação diferenciada em vários países, incluindo o Brasil.

Os marcadores moleculares permitem que o melhorista identifique, ainda na fase de plântula, se uma planta carrega os genes desejados, acelerando o desenvolvimento de novas cultivares. A cultura de tecidos multiplica mudas livres de doenças em laboratório, técnica muito usada em cana, banana e eucalipto. Na área de bioinsumos, microrganismos selecionados são formulados como inoculantes fixadores de nitrogênio, fungos e bactérias que controlam pragas e promotores de crescimento.

Por que importa para o produtor

A adoção de sementes transgênicas de soja, milho e algodão simplificou o controle de plantas daninhas e de lagartas, reduzindo aplicações de inseticidas em alguns casos e facilitando o plantio direto. Os inoculantes com rizóbio permitem cultivar soja sem adubação nitrogenada, economia expressiva no custo. Cultivares desenvolvidas com marcadores moleculares chegam mais rápido ao campo com resistência a doenças e melhor adaptação ao clima.

Ao mesmo tempo, o uso continuado de uma mesma tecnologia pode selecionar pragas e plantas daninhas resistentes, exigindo manejo com áreas de refúgio e rotação de mecanismos de ação.

Na prática

No Brasil, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) avalia e aprova organismos geneticamente modificados antes da liberação comercial. A Embrapa desenvolveu, por exemplo, o feijão transgênico resistente ao vírus do mosaico dourado e cultivares de soja e cana obtidas com apoio de ferramentas moleculares.

A grande maioria da área de soja e milho no país é cultivada com sementes transgênicas, e o mercado de bioinsumos cresce em regiões de grãos e cana, com o MAPA mantendo o Programa Nacional de Bioinsumos para regulamentar e estimular o setor.

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