Yield gap, traduzido como lacuna de produtividade, é a diferença entre a produtividade que uma lavoura poderia alcançar em determinado ambiente e a produtividade que ela efetivamente obtém. O conceito ajuda a identificar quanto ainda é possível produzir na mesma área e quais fatores explicam a distância entre o potencial e a realidade.
Como funciona
A análise trabalha com três níveis de produtividade. A potencial é a que seria obtida com a melhor cultivar, sem limitação de água ou nutrientes e sem pragas, condicionada apenas por radiação solar, temperatura e características da planta. A atingível, ou limitada pela água, é a máxima possível em sequeiro, considerando a chuva da região. A real é a média que os produtores colhem.
A diferença entre a produtividade atingível e a real é o yield gap que interessa ao manejo, porque decorre de fatores controláveis: adubação insuficiente, época de plantio inadequada, cultivar mal escolhida, população de plantas, compactação do solo, pragas, doenças e plantas daninhas. Já a diferença entre a potencial e a atingível é explicada pela água e só pode ser reduzida com irrigação.
Os cálculos usam modelos de simulação de culturas, dados climáticos e levantamentos de produtividade regional, e costumam ser apresentados por município, microrregião ou zona agroclimática.
Por que importa para o produtor
Conhecer o yield gap da sua região indica se a lavoura está perto do teto ou se há espaço para ganhos com melhor manejo. Um produtor que colhe bem abaixo da média atingível tem prioridade em corrigir fatores básicos, como fertilidade e época de semeadura, antes de investir em tecnologias mais caras. Quem já está próximo do limite tende a buscar ganhos em custo e estabilidade, não em volume.
Em escala nacional, o conceito orienta políticas de pesquisa e assistência técnica, porque mostra onde a produção pode crescer sem abertura de novas áreas, com efeitos sobre a renda no campo e a pressão sobre florestas e pastagens.
Na prática
- Estudos conduzidos pela Embrapa e por universidades em parceria com o Global Yield Gap Atlas estimaram lacunas de produtividade para soja, milho e outras culturas em diferentes regiões do Brasil.
- Na soja, a lacuna entre a produtividade atingível e a real costuma ser maior em regiões de expansão recente e em anos de distribuição irregular de chuvas.
- No milho de segunda safra, a época de semeadura logo após a colheita da soja é um dos fatores que mais explicam as diferenças de produtividade entre lavouras vizinhas.
- Na pecuária, um raciocínio semelhante compara a lotação e o ganho de peso reais com o potencial das pastagens recuperadas.
Os concursos de máxima produtividade promovidos por entidades do setor, em que produtores registram lavouras acima da média regional, ilustram a distância entre o que já é possível e o que a maioria colhe.
Termos relacionados
- Produtividade agrícola
- Potencial produtivo
- Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC)
- Manejo integrado
- Intensificação sustentável